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segunda-feira, 2 de abril de 2012

O Rosto



                   O nosso querido laranjanews.blog, completou ontem (01/04), seis anos de existência. São 2.190 dias ininterruptos no ar. É mole?
       O sexto aniversário não poderia passar despercebido, pois a existência deste veículo significa o rompimento de barreiras culturais terríveis opostas contra a simples manifestação do pensamento.
       Apesar de serem os blogs coisas triviais, corriqueiras, nos países civilizados, aqui na base, os textos publicados, ao longo dos anos, nunca provocaram reações animalescas tão violentas.
       Neste trecho do universo, cada texto levado à luz teve a característica de gerar reações histéricas agressivíssimas tais como a da formação de turba, com tentativas de invasão da sede e de apedrejamento.
       Veja que o tempero, a importância de um veículo de comunicação social, você mede também pelas reações que ele provoca. Dai podemos afirmar que, durante todo esse tempo, o seu blog nunca foi insosso.
       Qual publicação desencadearia atitudes tão contrárias quanto a de fazer tremer a sede diariamente, por horas e horas seguidas, sob as vibrações de um compressor?
       Existe, em qualquer canto da terra, algum blog que faça, a cada publicação sua, o ar da vizinhança tornar-se turvo, irrespirável, completamente impregnado com litros e litros de tinta automotiva e solventes?
       Perceba que essa violência reflete também a personalidade, o rosto, das pessoas que atualmente ocupam os cargos públicos eletivos.
       São esses desmesurados, que laboram sobre premissas falsas, os maiores cerceadores da integração da província ignorante e retardada, ao mundo humano.
       São os mesmos ineptos doentes mentais que, há vinte, trinta anos, permanecem servindo-se das riquezas alheias, os maiores interessados no silêncio do seu blog.
       Quem se importaria com as opiniões alheias, se não tivesse nada comprometedor a esconder?
       Cadeia nos sanguessugas. E que devolvam o que não lhes pertence.
02/04/12     

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Com Pedras e Paus




                 Os crimes frequentes cometidos por marginais e vândalos no estacionamento da Universidade de São Paulo (USP), levaram a reitoria a firmar um convênio com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de S. Paulo, pelo qual a Polícia Militar se incumbiria da manutenção da ordem no local.
       Com a presença rotineira dos policiais no campus, houve a detenção de três estudantes que fumavam maconha na região; esse fato gerou protestos e o confronto direto de um grupo de jovens com os policiais. Com pedras e paus os sediciosos danificaram cerca de seis veículos do governo do estado.
       Nem todos os estudantes eram contrários à presença da polícia nas dependências da universidade. Um grupo numeroso, formado por alunos de todas as áreas, inclusive da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, promoveu até ato de apoio ao pacto entre a Reitoria e a Secretaria da Segurança Pública.
       Entretanto os revoltosos ocuparam e danificaram as dependências da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas; logo em seguida invadiram o prédio da reitoria, de onde exigiram a saída da Polícia Militar do campus, a rescisão do pacto com a Secretaria da Segurança Pública e o arquivamento de processos na justiça.
       Após determinar o corte da energia elétrica, água e internet do prédio ocupado, a reitoria ingressou na justiça, requerendo a reintegração de posse.
       O poder judiciário concedeu a ordem e deu um prazo para que os amotinados desocupassem as dependências invadidas.
       Tendo transcorrido o tempo sem que os invasores cumprissem a determinação judicial, foram conduzidos para o distrito, onde agora responderão ao inquérito policial e ao processo crime por desobediência.
08/11/2011   

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Abelhas atacam moradores de Paraguaçu Paulista



Folha de S. Paulo
Duas mulheres, de 36 e 48 anos, foram atacadas por abelhas, na segunda-feira (17), dentro da casa de uma delas na cidade de Paraguaçu Paulista (467 km de São Paulo). Uma das vítimas recebeu atendimento e foi liberada. Já a dona da casa, de 48 anos, permanece internada.
Segundo o Corpo de Bombeiros, as abelhas estavam em uma colmeia no assoalho da casa, quando, por volta das 9h, atacaram os três cães da família. A proprietária então usou uma mangueira para jogar água e tentar afastar as abelhas, mas elas a atacaram.
Os bombeiros estimam que a mulher tenha recebido centenas de picadas. Ela foi socorrida e encaminhada para um hospital da região.
A outra mulher, de 36 anos, que trabalhava na casa, também foi atacada pelas abelhas. Ela recebeu atendimento médico e foi liberada em seguida.

Veja no vídeo abaixo uma colmeia de abelhas no alto de uma árvore.


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De acordo com a Associação Americana de Pediatria, o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade agora pode ser diagnosticado dos quatro aos 18 anos deidade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Líder do Quarteirão



                        Muitas pessoas têm dificuldades para, mudando o comportamento, tornarem-se mais amistosas, mansas, pacíficas e socializadas.
            Uma das causas impeditivas do amestramento eficaz seria a crença equivocada de que os bons são ingênuos, tolos e passíveis de serem enganados. Daí o exercício da crueldade.
            A hereditariedade influi muito na conduta do indivíduo insistente na pratica dos malefícios a enteados, irmãos, mãe e vizinhos. O sujeito inquieto, querelante, espelha-se na figura do pai que também agia sem compaixão nenhuma com os filhos, a mulher e os vizinhos.
            Para se tornar um líder respeitável no quarteirão a pessoa deve demonstrar sensibilidade e muito tato no trato com as pessoas, a começar consigo mesma.
      O líder do quarteirão deve conhecer o alfabeto, interpretar corretamente as escrituras sagradas, permanecer atento às notícias dos jornais e estar sóbrio a maior parte do tempo, a fim de que suas percepções sejam reais.
      O indivíduo que deseja ser influente num quarteirão deve conhecer as leis, evitar os motins de rua, os crimes, não usar drogas e respeitar a mãe viúva.
      Não é o tempo de permanência num determinado local da cidade que habilita o indivíduo a ser o digamos... ”Xerife” do trecho. É preciso muito mais do que isso. É necessário, além das qualidades elencadas acima, ter alguma inteligência e bons propósitos.
      Sem essas características o tal pretenso líder permanecerá lá no fundo do quintal onde só há choro e ranger dos dentes.
             

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Crueldade Contra os Animais




                    Muita gente sabe que a crueldade faz parte de alguns seres humanos de forma inequívoca.
                    Você percebe quando o sujeito é mau quando o vê lidar com as crianças, ou até mesmo com os animais.
                    O elemento cruel não sente compaixão, não tem remorso, e isso se evidencia nas suas ações maldosas, contra cães e gatos, por exemplo.
                    Você pode não acreditar, mas ainda há gente capaz de matar ou judiar muito dos bichos, como se tivesse fazendo um sacrifício a Deus.
                    Essa forma equivocada de reagir ao mundo atual, do século XXI, tempo da Internet, da globalização, era muito própria de alguns povos precedentes a Jesus Cristo.
                    Podemos encontrar os rituais de sacrifício no velho testamento, mas logo depois, nos Evangelhos, notaremos que Jesus ensinava a importância da misericórdia e não das imolações.
                    Foi com o objetivo de desestimular a prática de judiação contra bodes, cabritos, gatos, cachorros, galinhas e galos que o vereador piracicabano Laércio Trevisan Júnior (PR), propôs o projeto de lei 128/2010.
                    Na lei, que foi recusada pelo prefeito Barjas Negri (PSDB), Trevisan definia como maus tratos e crueldade contra animais, as ações diretas ou indiretas capazes de provocar privação das necessidades básicas, sofrimento físico, medo, estresse, angústia, patologias ou morte que ocorriam inclusive, no sacrifício de animais nos rituais religiosos.
                    Cedendo às pressões de aproximadamente 15 terreiros de Umbanda e Candomblé, o prefeito piracicabano vetou o projeto.
                     Isso significa que essas práticas primitivas estão livres da interferência do poder público e que os bichos (que não têm nada a ver com a loucura dos seres humanos), ainda pagarão com a vida e sofrimentos, pela insensatez que não lhes pertence.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Círculo Virtuoso







                                           “Quando o comportamento da maioria é reforçado positivamente, as pessoas encontrarão dificuldade em escapar ou ser diferentes: a sua individualidade pode ser sufocada. Entretanto se elas forem reforçadas positivamente para as formas de inconformidade – isto é, para o esforço criador, para a inovação e para fazer contribuição à sua cultura – poderão ir além da simples conformidade que produz desempenhos medíocres.”

                        Esse texto ai de cima faz parte da obra PSICOLOGIA Uma introdução aos Princípios Fundamentais do Comportamento, escrito por Charles W. Telford e James M. Sawey publicado pela Cultrix em 1971.

                        Veja que quando alguém rompe com a orientação de homogeneidade - imitar a maioria -, incomodando os detentores do poder, por exemplo, aciona mecanismos políticos-defensivos tais como a crucificação (praticada no passado,) ou a contenção psiquiátrica, usada principalmente durante a vigência da guerra fria.

                        Na sufocação literal além do uso de todas as outras formas de desassossego, os meios empregados são ainda ou a fumaça proveniente da queima contumaz de lixo, ou a aspersão de tinta automotiva.

                        No ápice dessas maldades todas podem estar o velho vereador, que há trinta anos não desapega do poder, ou o ilustre senhor deputado federal que, na derrota do crítico da sua política insossa, encontrará a satisfação própria e a dos seus eleitores.

                        Para tanto ou mais, sempre abusando do poder econômico ou político, não envidam esforços corrompendo a mídia, traficando influência nas delegacias de polícia, cartórios criminais e cíveis.

                        Numa cultura assim, proposta pela política autoritária e obsoleta, os fracassos, dissabores e fragilidades, são todos compensados, ao passo que o destaque é amplamente condenável.

                        Dessa forma mantém-se o curral eleitoral garantidor da eterna riqueza de alguns – o tal círculo virtuoso - e a total infelicidade da grande maioria.   
Flagrante do ataque do funileiro Carlos Augusto Bottene Harder (residente à rua Napoleão Laureano, 164) contra um vizinho, na tarde do dia 27 de Dezembro de 2007. O agressor é falecido mas as hostilidades continuam sendo praticadas por seu filho Gabriel Donizete Bottene Harder, morador no mesmo endereço.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Fermento

Já se passaram uma ou duas vintenas de anos, talvez até mais, que a hipocrisia e a predisposição para a hostilidade, se manifestam assim, sem mais nem menos.

São componentes do caráter, como a cor da pele ou a estatura compõem o corpo; por isso não cremos haver a possibilidade de sucesso de qualquer tentativa para a domesticação.

Da mesma forma que o alcoólatra só deixa o vicio no momento em que decide fazê-lo, o pagão hostil só aceitará a paz no tempo que desejar.

São consequências do meio, da genética, da morfologia. Esses verdadeiros focos infecciosos são mencionados no velho testamento e considerados por Cristo como fermento.

Nessa ebulição eterna, a coesão interna do grupamento, só é conseguida com a demonização e a agressão dos alvos exteriores.

A hipocrisia tem muito do camaleão; é inconstante, incoerente e vibra energia podre, negativa. Os quistos são inatacáveis, intocáveis e muito preferidos por políticos sedentos de poder.

São refratários aos ensinamentos cristãos, não compreendem as mensagens de afeto; calcinam as estruturas limítrofes. Respondem com maldades a qualquer bem que se lhes faça.

Desertificam cidades, corrompem mulheres honestas e induzem a conflitos generalizados. Só sai de perto quem pode.

sábado, 13 de novembro de 2010

Falta de Educação

Acho extremamente boçal essa atitude de intocabilidade que se tem diante de uma pessoa, ou grupo, que infringe diuturnamente as regras da boa educação e do viver em paz.

A comunidade justifica a omissão em praticar a correção dos maus costumes, apontando a total deficiência mental dos infratores.

Ora, dessa forma estaria a sociedade toda dizendo: “Não ligue pra isso. Eles são assim porque não batem bem da bola”. A deficiência mental seria então o passaporte para a impunidade.

Uma das conclusões a que induz esse tipo de alheamento comunitário, é a de que as pessoas têm, na verdade, medo de se envolver com os ignorantes praticantes da violência.

Ainda mais pelo fato de terem os tais meliantes, parentes funcionários públicos, simpatizantes nas igrejas e no legislativo municipal.

Ora, de acordo com esse tipo de mentalidade equivocada, observável na comunidade, um bêbado pode agredir tranquilamente a qualquer outro cidadão e ver-se livre das consequências dos seus atos, com a justificativa de que é um bêbado.

Não esposo a ideia de que as pessoas de boa índole devam ficar reféns dos maus carateres, por serem eles pobres portadores da idiotia ou do alcoolismo.

Chegamos a um estágio de evolução que não se permite mais a falta de educação, as grosserias e a estupidez impunes, justificadas por defeitos genéticos ou doenças mentais.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Educação e saúde

É meu amigo, a vida tem dessas coisas. Você passa quatro, oito anos, pedindo às autoridades do município, que fiscalizem as atividades incivilizadas, hostis, violentas, que tornam a vida na comunidade, bastante desconfortável, e nunca é atendido.

Em resposta eles – os eleitos - minimizam o problema, desmerecem a sua pessoa e o convidam, com muita sutileza, a mudar-se de cidade. O lema que os embasa é: “Os incomodados que se retirem”.

Esses senhores, que hoje ocupam os cargos públicos eletivos, agora batem às portas do eleitor, solicitando mais tempo de permanência, junto aos gordos vencimentos, que lhes garantem a paz, a saúde, o bem estar e – é claro - o distanciamento dos assuntos da periferia.

A incapacidade para resolver os problemas relacionados à saúde, em determinadas áreas da orla, é justificada com a desculpa de que não seriam questões de competência do poder público, e nem sequer dos chamados centros religiosos.

Acontece que toda a população da cidade está atenta às ocorrências. Graças a Deus. E a omissão dessas chamadas autoridades responsáveis, patenteia o descaso, o desprezo aos envolvidos. A função do governante não seria a de “botar mais lenha na fogueira”, ao contrário: governante bom é aquele que procura apaziguar os ânimos, promover a reaproximação entre as partes rixosas.

O progresso de uma região não acontece quando os eleitos priorizam somente o desenvolvimento material das urbes. Há de se atentar para os problemas sociais, geralmente produtos da educação ineficiente, e sem dúvida nenhuma, também da saúde pública, hoje completamente lesada.

A má educação, o grau elevado de incivilidade, a grosseria e a estupidez das pessoas, destacam muito mais intensamente uma região do que algumas pontes e asfalto desnecessário nas ruas.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O coquetel Molotov

E chegava mais um final de semana. A noite surgia amena encontrando Van de Oliveira, no quarto, preparando-se para sair.

Diante do espelho, Grogue ajeitava a calça, a camisa esporte e, com um retoque final o penteado.

Duma gaveta sacou o frasco de desodorante, exagerando a aspersão nas axilas. Transcorria fevereiro de 1975, quando o governo em Brasília, era ainda exercido pelos generais.

Grogue ao caminhar pelo quarto teve a convicção de ter acertado na escolha do calçado que usaria para badalar naquele sábado: entre um par de tênis e outro de coturnos, escolhera o segundo.

Bem vestido o camarada deu três passos adiante, parou, voltou-se e de longe mirou sua figura no espelho. Estava tudo de acordo e nos conformes. As botas, apesar de amarradas firmemente nas canelas, deixavam os pés folgados.

Metendo no bolso um maço de Hollywood e uma caixa pequena de fósforos, ele sentiu-se pronto para a noitada.

Desceu a escada, abriu a porta da rua, entrando com habilidade, no Karmann Guia 1972, vermelho, estacionado defronte ao sobrado.

Ao volante acendeu um cigarro, pondo-se depois em marcha. Ele ouvia com atenção o ruído baixo, lento e grave que saia dos escapamentos abertos, daquele motor 1500.

Van de Oliveira dirigindo numa velocidade reduzida, bem devagar, quase parando, rodeou a praça central, notando o afluxo inexpressivo de pessoas.

Depois de parar defronte ao bar do Bafão, onde havia mesas de sinuca, ele desceu, mas não fechou à chave a porta do carro.

No boteco três ou quatro duplas jogavam bilhar. A névoa cinza da fumaça dos cigarros turvava o ambiente, ao mesmo tempo em que o cheiro impregnava-o.

Van acomodou-se a uma das mesas postadas perto do balcão, pedindo cerveja. Depois de atendido ele notou, assustado, que dois travestis caracterizados como prostitutas se aproximaram dele.

Convidados a se sentar e a tomar cerveja eles não quiseram, dizendo, entretanto que Lola Door, a dona do bar situado na esquina próxima, queria falar-lhe.

Van bebeu com muita calma e depois, avisando ao Bafão que iria ao bar da Lola, saber o que ela queria, saiu a pé. Com uma vintena de passos ele entrou no boteco da cafetina velha.

Defronte ao balcão havia um aglomerado de bebedores falantes. A mulher comandava a caixa registradora, enquanto que seu companheiro, que a tirara da zona do meretrício, alguns anos antes, atendia os pedidos do pessoal.

Ao ser avistado pela mulher, Grogue percebeu que ela fazia-lhe gestos, para que se aproximasse.

À presença do recém-chegado, um silêncio inesperado, dominou o ambiente. Acercando-se da mulher, Van de Oliveira Grogue, curioso ao extremo, para saber o que ela tinha a lhe dizer, foi atingido, de repente, por uma pancada tão forte na face esquerda, que o derrubou ao chão.

Lola dera-lhe no rosto com a costa da mão esquerda. Tentando levantar-se o rapaz não conseguia entender o motivo do ataque.

Alguns risos sobressaiam do burburinho que ressurgia no aglomerado. Dois homens se aproximaram e pegando-o pelos braços puseram-no pra fora do boteco.

“Que filhos da puta! Só pode ser intriga dos veados” – pensou Grogue.

Com a visão turva de ódio, ele entrou no Karmann Guia, foi até o sobrado, pegou uma garra vazia de vinho e voltando ao carro dirigiu-se ao posto de combustível da redondeza.

Não havia movimento. O frentista estava só e ouvia algo no rádio a pilhas; ele não estranhou quando o homem que acabara de chegar, pedira-lhe que enchesse a garrafa com gasolina.

Grogue fechou o frasco com uma rolha; ao invés de pagar o preço, disse ao homem que perdera a carteira; que morava a dois quarteirões de distância e que voltaria logo em seguida, para o acerto.

De nada adiantaram os protestos do frentista. Van de Oliveira entrou rápido no carro deu a partida e, acelerando com força, desapareceu.

Estacionando defronte ao sobrado, ele subiu rápidamente a escada indo direto pro quarto. Duma gaveta, da velha cômoda, ele tirou a camiseta amarela que reduziu a trapos.

Enlaçando o gargalo da garrafa com o pano, desceu ás pressas a escadaria, entrando afoito no carro vermelho.

Sentindo muito ódio, ele pisou fundo no acelerador; não se importou com as imprecações murmuradas pela vizinhança irritadiça.

Grogue parou longe do seu alvo. Talvez uns cinquenta metros. Ele desceu do carro com a garrafa na mão esquerda. Ao se aproximar do boteco precisava umedecer, com a gasolina, o trapo do gargalo.

Van tirou a rolha, vertendo o liquido aparado no pano. Entretanto, os gestos bruscos, por estar muito tenso, fizeram com que a gasolina vazasse em demasia, molhando-lhe o braço e a mão esquerda.

Fechando a garrafa com a rolha e firmando o pano, ele sacou do bolso a caixa de fósforos. Naquele momento uma dúvida o parou: lançaria o projétil contra o chão, nos pés da turba, ou contra as garrafas de bebida, enfileiradas nas prateleiras, acima e atrás da cabeça da agressora?

A distância entre ele e a turma que bebia não impediu que o cheiro da gasolina o denunciasse. Os homens perceberam e iniciaram movimentos de pânico.

Com receio de ser impedido, antes de alcançar o seu objetivo, Grogue acendeu o estopim. Mas as chamas passaram-lhe para o braço e a mão encharcadas de combustível.

Sentindo a queimadura, ele soltou a garrafa que explodiu aos seus pés, na sarjeta.

Cercado pelos bêbados Grogue quase foi linchado. Uma viatura da guarda levou-o ao delegado, que depois de um interrogatório breve, mandou-o ao pátio interno da delegacia.

Sentado numa escada fria, observado pelos detentos, que o olhavam das janelas gradeadas das celas, Van viveu uma das madrugadas mais frias e tristes da sua vida.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Moraes agride repórter a tapa

O vereador Lourivaldo Rodrigues de Moraes (DEM), conhecido como "Kirrarinha", na manhã de ontem (28/06), nas dependências do Centro Integrado de Segurança e Cidadania, agrediu a tapa a repórter Márcia Pache.

Márcia Pache trabalha na TV Cento Oeste, filiada ao SBT, na cidade de Pontes e Lacerda, situada a 450 quilômetros de Cuiabá, na região Oeste do Estado.

A violência aconteceu quando Márcia foi entrevistar Moraes depois dele ter prestado depoimento nos dois inquéritos policiais instaurados contra ele.

Num dos inquéritos o vereador é suspeito de ter obtido uma procuração para receber a aposentadoria de uma idosa analfabeta, de 74 anos, e de não ter devolvido todo o dinheiro.

O outro inquérito foi aberto por ter Lourivaldo Moraes incitado a invasão de imóvel em um conjunto habitacional construído com recursos públicos. Segundo consta no inquérito, até as chaves da casa invadida foram encomendadas pelo vereador.

As imagens de toda a agressão contra a repórter foram transmitidas pelas duas emissoras de TV daquela cidade.

Márcia trabalha há 15 anos com jornalismo no interior de Mato Grosso. Antes de ser contratada pela TV Centro Oeste, atuava em Cáceres, onde se destacou na TV Descalvados.

Ela fará, nesta terça-feira, exame de corpo delito. Márcia anunciou que processará o vereador dos Democratas.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Rodeando o toco

Gabrielzinho “boca de porco” (ô sujeito nojento!), aproximou-se da empregada doméstica bem devagarzinho e valendo-se da concentração dela, que lavava a louça do almoço, detonou:

- Barriguda do pé rachado!

A pobrezinha que pensava nas palavras ouvidas no sermão da missa matinal daquele dia, quase teve um chilique.

- Miserável! Vagabundo, ao invés de arrumar um serviço pra ajudar nas despesas, fica aprontando safadeza. Que papelão é esse? – reagiu Maria Helena que, com o susto, deixara cair a panela de pressão dentro da pia, provocando um ruído intenso.

- Se eu for trabalhar fora quem é que vai cuidar dessas crianças? – perguntou o “boca de porco” enquanto ocupava o lugar da mulher, para ter o acesso livre à torneira.

- Essas meninas passam muito bem sem a sua presença. Aliás, tudo vai melhor quando você dorme. Já percebeu? - garantiu Maria Helena com sofreguidão. Ela quase perdeu a dentadura durante a fala enérgica.

- E eu, vou trabalhar de quê? Onde? – Gabrielzinho acabara de lavar um copo e enchia-o com água do pote.

- No salão de beleza do Delsinho, ora. Ele me disse que lá precisam de alguém pra lavar os cabelos das clientes.

- Cabeleireiro? Eu? Eu sou é macho, minha filha. Não vem não! – Gabrielzinho ficara nervoso e depois de beber um gole d´água, percebia-se que seu rosto intumescera.

- Gabrielzinho, pelo amor de Deus! Você não percebe que tenho ainda que lavar a frente da casa, varrer toda aquela calçada e outras 201 coisas pra fazer? Para de me zoar. Por que você não leva a cachorra pra passear? Faça alguma coisa útil. Ô criatura danosa!

- A última vez que levei essa cadela peluda pra passear ela fez cocô, defronte o portão da vizinha da esquina, e o velhote veio me chamar a atenção. Não saio mais com a pulguenta.

- Que futuro você terá criatura? Fica enrustido nesse quintal feito um “cabeça fraca”, um débil mental. Você não se toca, malandro? Olha, já está demais essa loucura, essa irresponsabilidade. Como é que vai terminar isso?

- Eu não sei como vai terminar. Mas sei muito bem que trabalhar eu não vou. Se for, pode ter a mais absoluta certeza: eu não me chamo Gabrielzinho, o legítimo “boca de porco”.

Dizendo essas palavras o babá rebelde saiu em direção à calçada; então, com toda a calma do mundo, sentou-se no toco, de onde passou a admirar o movimento.








sexta-feira, 14 de maio de 2010

Os Latidos da Cadela

Imagine experienciar uma quizumba num bairro de periferia de cidade pequena. Ciente de que você tem direitos a serem preservados, dirige-se rápido a delegacia de polícia.

Então pensando que com as providências da autoridade policial, a situação se acalme ao seu redor, depois de cumpridas todas as formalidades que lhe cabem, tenta esquecer o caso.

Mas veja que situação: ao invés de arrefecer os estados de espírito belicosos você nota que tudo ficou pior, os ânimos se exaltaram mais ainda.

Chega o momento em que você acha que não deveria ter ido à delegacia de polícia. E como entender que as pessoas investidas nas funções de funcionários públicos, possam agir em desacordo com o direito? Como explicar isso?

Você já ouviu falar em tráfico de influência? Pois é. Numa cidade pequena, onde quase todas as pessoas se conhecem, num auê entre vizinhos, um vereador, deputado estadual ou deputado federal podem solicitar à autoridade policial, favores em benefício de alguém, e detrimento dos direitos de outrem.

Entende?

Então numa desinteligência acontecida entre vizinhos, por causa da omissão de impedir os latidos incessantes de uma cadela, a vítima pode, ao dirigir-se à repartição policial, encontrar lá um clima completamente desfavorável.

Esse é o que se chama de tráfico covarde de influência. Esse crime pode ser praticado com o abuso do poder econômico. Ou seja, o tal vizinho meliante, que por ter entre os seus amigos gerentes bancários, acha que pode mandar e desmandar num bairro, passando inclusive sobre os direitos fundamentais das outras pessoas.

Esse tipo de comportamento injusto favorece a descrença nas autoridades, nas leis, e faz com que a vítima seja atingida na sua auto-estima.

E você acha que as injustiças e as lesões aos direitos das pessoas param por ai? Nada disso. Depois de ser “trucidada” num departamento policial, a vítima pode ainda ser denegrida no Fórum, nas casas comerciais do bairro, bancos, igrejas e por ai vai.

Quem conhece os mentirosos sabe que para manter uma mentira o fulano tem que contar outra mentira. E para defender suas posições deve mentir, mentir e mentir cada vez mais.

Isso acontece até o momento em que “a casa cai”, ou em que toda a verdade vem à tona.

Com a injustiça é a mesma coisa. Para defender os bens e a posição injusta, o indivíduo precisa seguir em frente praticando outra e outra injustiça, até o momento em que tudo se volta contra ele mesmo.

O ressarcimento financeiro, cremos nós, cessaria esse círculo vicioso maligno. Pelo menos mudaria o sentido do cenário.

AVISO: Os blogs http://laranjanews.blog.terra.com.br/ ,http://monitornews.blog.terra.com.br/ e outros integrantes da rede estão, no momento, bloqueados e não podem ser atualizados.





terça-feira, 11 de maio de 2010

A Divina Providência

A vida no arrabalde não é fácil. Mas eu não concordo com quem afirma que seja o trecho de uma cidade onde se concentra o que não esteja tão salutar.

Existem os demenciados de sempre, isso é inegável. Há sujeitos teimosos que encontram muita dificuldade na assimilação das mudanças. Esse estado deteriorado de mentalidade pode causar muitos danos ao infeliz, tanto de ordem emocional como físicos.

O inconformado é sempre agitado, não tem sossego; sua inquietude perturba os enteados, a concubina, a mãe que já está cansada de tanto sofrimento, o irmão e o tiozinho gazeloso.

Não tem pinga que sossegue o língua solta. Ele pragueja desejando o mal pra todo mundo. Ninguém se isenta de tanto mau humor; sua importunação é perseverante.

Dizem que se trata de problema de ordem espiritual, de obsessão. Eu não duvido disso. Creio que o tal sofredor precisaria passar por tratamentos de desobsessão nos locais apropriados.

Ninguém melhor do que a divina providência para acertar e equilibrar todas as coisas.



Leia ainda nesta edição





segunda-feira, 10 de maio de 2010

É Perigoso Morar Aqui

Cidade pequena, provinciana, tem cada figura que impressiona. Imagine você caminhar por uma rua cujas calçadas são tomadas pela expansão do sentimento de poder de uma moradora.

É isso mesmo. O tempo que a pessoa permanece numa região dar-lhe-ia um sentimento de autoridade tal que lhe possibilitaria ocupar inclusive a calçada com “puxadinhos”.

Essas aberrações ocorrem com mais freqüência em Cosmópolis, terra do falecido ex-deputado federal João Herrmann Netto. Lá existem endereços diferentes, na mesma rua, mas com numeração semelhante.

Imagine o trabalho do carteiro ao ter de entregar correspondências nos números 30, 41 ou 39 da rua tal. É que há dois 30, dois 41 e dois 39. Pra que essa confusão se instale e se difunda é preciso que ocorra a somatória do analfabetismo, superstição, egoísmo e muita venalidade dos políticos locais.

Aqui em Piracicaba é quase igual. Há pessoas que, por morarem na periferia, sentem-se os donos do quarteirão e autorizados, por isso mesmo, a maltratar a quem não simpatizam.

E eles, os malucos, não fazem pouco não. Promovem arruaças, ajuntam-se defronte o seu portão, tentam agredi-lo e o difamam nas igrejas, câmara municipal, prefeitura, delegacia de polícia e bancos.

Essas pessoas ou são retardadas mentais, degeneradas ou psicóticas mesmo. Conheci uma senhora enorme, mulher de um barbeiro, que nas horas de folga era funcionário público trabalhando como vigia no cemitério da cidade. A mulher era tão gorda, mas tão gorda, que quando se sentava no sofá, pra ver a novela das oito, o pessoal que ali estava antes, tinha de se levantar.

A bruaca descontava a fereza, que lhe causava a prisão de ventre perpétua, nos filhos dos vizinhos que não tinha em boa conta.

Se o conceito de loucura mudou com o tempo, fazendo parte da sua característica a agressividade danosa e o analfabetismo, então meu amigo, considere que a existência da maior concentração de dementes por metro quadrado, você encontra aqui na Rua Napoleão Laureano entre a Samuel Neves e Fernando Febeliano da Costa, no bairro Vila Independência em Piracicaba.

É perigoso morar aqui. Você pode ser agredido com tijoladas na cara ou ser punido diariamente com muito barulho e tinta spray que os mal formados injetam na sua casa.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Ressurreição dos Mortos

Todo ódio, toda a inveja, toda a ignorância, toda a crueldade e toda a estupidez suscitadas por seu desejo de ser sacerdote, profeta e rei, caíram sobre Ele crucificando-o.

Todo o desprezo, toda a desconsideração, toda maledicência, violência, incompreensão, analfabetismo e burrice foram compensados pelos sofrimentos causados pela coroa de espinhos, pelos cravos nas mãos e nos pés.

Toda a miséria, pobreza de espírito, xingamentos e covardia desapareceram ante os estertores daquela paixão.

A ressurreição dos mortos, pela bondade de Deus, possue a eficácia originadora dos mesmos milagres. Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.