A Polícia Militar informou que a Câmara de Vereadores de Maringá (PR), foi atingida por volta de 22h30, da noite do dia 29, por uma série de tiros que partiram de uma pistola 9 milímetros. Os disparos foram efetuados por dois homens que estavam em uma motocicleta Twister.
As imagens do circuito interno de tevê do prédio foram enviadas à Polícia Civil, que junto com a PM investiga os suspeitos do crime. O caso foi registrado na Polícia Civil, que instaurou inquérito para investigar.
Ênio, o filho do professor, criava baratas num baú
Quando Van de Oliveira Grogue era criança conheceu um professor muito esquisito. Ele tinha uma das pernas de pau, o rosto vermelho enorme, e seus óculos, sempre embaçados, eram feitos com lentes grossas.
O mestre olhava para os meninos, que se aglomeravam defronte a sua casa, como quem procurava algum traço de zombaria, que ele cria fazerem do seu defeito, aqueles demônios dos infernos periféricos.
Às vezes o professor, acompanhado da esposa, sentava-se defronte a sua morada, donde podia vigiar os próprios filhos, que se juntavam aos moleques vizinhos.
O taciturno e cabisbaixo professor era sempre visto, com aquele rosto afogueado, a caminhar pela calçada do quarteirão, claudicando e proferindo palavras, que muitos julgavam ser maldições.
O mestre tinha um filho chamado Ênio que nas trevas do porão da casa alugada, mantinha um baú, onde criava milhares de baratas.
Ênio era mestre nas intrigas e por não suportar ver o pai usando a perna de pau, sem poder fazer uma única e inócua troça, atribuiu ao menino Van Grogue, a ousadia de ter dito ser ele – o velhote – um pirata da perna de pau.
O velho professor percebeu que a sua cabeça, a cada dia que passava, depois daquele desaforo, se esquentava, se esquentava e se avermelhava cada vez mais.
Ora, o mestre antigo julgou que não melhoraria enquanto não vingasse a petulância, supostamente cometida por aquele pé descalço semianalfabeto, que não servia nem para serrar ou pregar tábuas na fábrica de botes.
Então o professorzinho e sua mulher balofa, idealizaram o plano de fazer cair sobre o cocuruto do suposto falador inconsequente, um pedaço de pau do mesmo tamanho e peso, que eles julgavam ter a perna direita postiça.
Iniciado o lero-lero, o tititi, a murmuração, notaram os dois seres vingativos que um dos irmãos do Van Grogue, suposto ofensor, estava esculpindo, num toco de pinho, uma espécie de taco de basebol.
Os dois iludidos mestres não cessaram as suas arengas da desforra, enquanto não souberam que o Van Grogue foi atingido por um golpe violento desferido pelo próprio irmão, diante da porta aberta do quarto, no início de uma noite de sexta-feira.
Os curativos, as bandagens, os seis pontos que Grogue levou, para unir as bordas do corte no couro cabeludo, foram por muito e muito tempo, motivadores da mais ampla e irrestrita satisfação do professor, sua mulher fofa e do Ênio, o criador de baratas.
A frustração dos impulsos sexuais pode transformar-se em ódio e ressentimento, que fará do inibido um perturbador impertinente.
A libido represada conduz o sujeito ao comportamento vingativo, odiento, que somente se satisfará ante o sofrimento do frustrador.
O malogrado compensará também sua angústia com a maledicência e muitas fantasias sobre aquele obstáculo “insensível” e “maligno”.
A busca da satisfação sexual com quem não a deseja e a rejeição dos carinhos, daquele que se mostra receptivo, formam em ambas as almas, uma poderosa força contrária negativa, cujos objetivos podem ser, inclusive o de transformação do gênero do decepcionante.
As insatisfações, tanto a sexual quanto a da paz, do equilíbrio do sujeito, são fatores evocados pela figura exponencial do triângulo.
As almas frustradas, sofridas, unem-se então na busca incessante da eliminação da fonte do desprazer.
Os conluios, conchavos, armadilhas e até violências físicas são os resultados das aproximações sexuais não desejadas.
Banhos de cachoeira, espelhos e papéis podem lembrar os dramas vividos pelos rancorosos, incapazes de substituir as más sensações, causadas pelas experiências negativas.
Quase ninguém condena os que afirmam ser mortal o ódio da “bicha” frustrada.
É notabilíssima a importância dada, no interior, e nas camadas mais pobres, à união das pessoas da mesma família.
Entretanto pouco se sabe a respeito do que realmente produz a tal coesão.
É notória, só não vê quem não quer, que na maioria dos casos, a concórdia é obtida não pela adoração do sagrado, mas pelo combate a um objeto externo.
Então surgem as pobres almas ingênuas propondo a evangelização dessas pessoas.
Mas será que elas desejam mesmo ser evangelizadas?
À semelhança do alcoólatra, que só deixa o vício por vontade própria, há pagãos que admitem a vivência do evangelho no exato momento em que desejarem.
Por outro lado, nas famílias onde se evidencia a aparente diversidade de interesses, nota-se também a preponderância da civilidade, do respeito às pessoas, à propriedade alheia e aos bons princípios morais.
Então pergunta-se: É mais interessante para a comunidade a família coesa, una, mas que violenta a integridade alheia, ou a família composta por pessoas com interesses distintos e obediente às normas da boa educação?
Sabe-se que o batismo não demove ninguém das práticas pagãs e que existem interesses políticos por trás do modelo familiar, cuja liga é conseguida com a demonização do algo exterior.
A quem mais compete evangelizar propondo a substituição do cimento coesivo “combate” pela louvação do sagrado?
Acho extremamente boçal essa atitude de intocabilidade que se tem diante de uma pessoa, ou grupo, que infringe diuturnamente as regras da boa educação e do viver em paz.
A comunidade justifica a omissão em praticar a correção dos maus costumes, apontando a total deficiência mental dos infratores.
Ora, dessa forma estaria a sociedade toda dizendo: “Não ligue pra isso. Eles são assim porque não batem bem da bola”. A deficiência mental seria então o passaporte para a impunidade.
Uma das conclusões a que induz esse tipo de alheamento comunitário, é a de que as pessoas têm, na verdade, medo de se envolver com os ignorantes praticantes da violência.
Ainda mais pelo fato de terem os tais meliantes, parentes funcionários públicos, simpatizantes nas igrejas e no legislativo municipal.
Ora, de acordo com esse tipo de mentalidade equivocada, observável na comunidade, um bêbado pode agredir tranquilamente a qualquer outro cidadão e ver-se livre das consequências dos seus atos, com a justificativa de que é um bêbado.
Não esposo a ideia de que as pessoas de boa índole devam ficar reféns dos maus carateres, por serem eles pobres portadores da idiotia ou do alcoolismo.
Chegamos a um estágio de evolução que não se permite mais a falta de educação, as grosserias e a estupidez impunes, justificadas por defeitos genéticos ou doenças mentais.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
O documento por correspondência
Como é que pode um analfabeto ter carteira de habilitação? A lei diz que para a pessoa poder dirigir automóveis, ônibus, caminhões e motocicletas deve ser alfabetizada. Se não o for como é que vai decifrar os sinais de trânsito?
Já imaginou o prejuízo que a incapacidade para ler pode trazer para uma cidade, quando um cidadão conduzindo um veículo imenso, não consegue entender os numerais que se referem aos limites de altura, escritos no alto de um viaduto?
Essa história de “dar um jeitinho”, para acomodar a situação complicada, pode custar bem caro. Você já pensou nisso?
Um grupo de pessoas para se estabelecer explorando a prestação de serviços, precisa conhecer profundamente o trabalho que efetua e seguir todas as orientações previamente determinadas para tal atividade.
As limitações impostas pela pobreza material, miséria espiritual, ou até mesmo pela idiotia congênita, não são excludentes das obrigações que devem ser seguidas a risca.
Em outros termos, nem a demência ou a pobreza material, podem livrar os responsáveis pela tal empresa de trabalhar dentro dos limites impostos pela lei, pelo bom senso e a boa prática.
Se as autoridades responsáveis do município fazem vistas grossas para as irregularidades, tornar-se-ão cumplices dos causadores de prejuízos a terceiros, da mesma forma que o responsável pelo departamento de trânsito, é conivente com o motorista analfabeto que provoca danos, quando não distingue os sinais de trânsito.
Um dos significados da palavra louco é extravagante, que está fora do contexto em que vive. Nesse sentido Jesus Cristo seria um deles.
Não é preciso explicar que Jesus era Judeu, e que o judaísmo, daquele tempo, além de remir os pecados dos seus adeptos, com o sacrifício de quem não tinha nada a ver com os nós, favorecia a política dos dominadores vindos de fora.
Jesus, seguindo os preceitos há muito tempo escritos, nos livros do velho testamento, mudou tudo isso, mostrando que seria ele quem carregaria todos os pecados do mundo, sendo dessa forma ressuscitado por Deus.
Num bairro onde há o predomínio de bêbados e analfabetos, o sujeito que tem um pouco de leitura seria o extravagante; o que destoa.
Então da mesma forma, esse pobre leitor de jornais pode ser perseguido, difamado, ter a água do seu reservatório envenenada e seu carro sofrer sabotagens que o levariam à ruína.
Tudo se complicaria para o extravagante se as “autoridades religiosas” que dariam suporte ao poder político na cidade, dirigissem o seu apoio, não ao perseguido, mas aos perseguidores.
E perceba que isso não é raro. Aliás, é mais comum do que pode imaginar a nossa mísera filosofia provinciana.
Uma das formas de realçar o tal poder político usuário da força, dominador, perseguidor e crucificador, seria impedir a exposição, nos prédios públicos da cidade, do símbolo evocador do amor demonstrado por Jesus Cristo.
Outra artimanha muito comum, nesse grande prêmio da vida, é tentar usar os ensinamentos de Jesus – os sentimentos cristãos – como inspiradores dos comportamentos conducentes às derrotas.
Alguém já parou para tentar explicar porque ocorrem antipatias e violências assim, gratuitas, entre as pessoas?
É claro que os livros de psiquiatria, psicologia e psicanálise estão cheios de explicação; destacamos a que atribui ao analfabetismo uma importante causa das desavenças.
Segundo alguns teóricos, o analfabeto por ter o vocabulário limitado, desenvolve síndromes paranóicas.
A compreensão do iletrado não ocorre da mesma forma que a do alfabetizado. O primitivo pensa com símbolos, imagens e cores. Não há a lógica, prevalece a intuição, a emotividade. Daí podem surgir a antipatia e a violência.
Dessa forma se numa casa, por um motivo ou outro, há a ausência da pia do banheiro, pode esse fato significar, para o rixoso iletrado, que seu proprietário precisa de terapia.
É sério!
Com as afecções mentais gravíssimas surgem a perseveração, as estereotipias e a agitação psicomotora, que promovem o consequente desassossego da família, dos amigos e dos vizinhos.
Esse tipo de doente mental pode se utilizar de várias formas para desestabilizar a vida alheia, como o incessante latir dos cães, provocar fumaça nos horários das refeições, ou mesmo encher a casa contígua, diuturnamente, com a tinta spray, daquelas que se usam pra pintar automóveis.
Respondendo ao velho preceito “os incomodados que se retirem” dizemos que o analfabetismo ou a miséria, não eximem ninguém de seguir as normas.
Ou seja: não é porque o cara é analfabeto, pobre ou louco, que ele não deva usar os equipamentos necessários na sua funilaria.
Cadê os fiscais e a vigilância sanitária? São nessas horas que você conhece a eficiência duma administração municipal.
Num quarteirão existem os mais loucos e esses tipos podem apresentar sinais que os distinguem. A agitação é uma das características perceptíveis.
Os sintomas da agitação psicomotora são os seguintes: 1) – Insônia de vários dias, perda da capacidade de dormir. 2) – Humor irritável com exagero das manifestações agressivas a estímulos inofensivos. 3) – Angústia, “medo”, pavor e pânico. 4) - Regressão à etapas primitivas da organização psíquica, irracionalidade das atitudes. 5) - Conduta hiperativa, desorientada desmesurada, multiforme; falta de sentimento de cansaço e esforço; movimentação constante, como o de uma pessoa impaciente, que está num certo lugar à espera de algo e que ao mesmo tempo quer sair para fora. 6) – O enfermo experimenta uma imperiosa necessidade de movimentar-se; anda sem parar de um lado para outro apressado, irritado, aborrecido, como se tivesse preso num determinado limite e a procura de saída. 7) – Dificuldade de manter diálogo com predominância de monólogos incompreensíveis. 8) – Agressividade sujeita a impulsividade. 9) – Transtorno de consciência, com flutuação do nível da consciência, desorientação e em certos casos, estado confusional.
As pessoas dotadas de maior acuidade ou senso de observação podem notar que, em determinado doente mental do quarteirão, destacam-se alguns sintomas. Dentre eles a insônia de vários dias, perda da capacidade de dormir; o medo; a predominância de monólogos incompreensíveis e agressividade sujeita a impulsividade.
O delírio persecutório, de interpretação, e as confabulações são também facetas observáveis com facilidade nessa personalidade insana, acometida pela agitação psicomotora.
Sob surto os loucos do quarteirão desassossegam os vizinhos usando muito ruído, vibrações, fumaça e tinta automotiva. Além dos motins de rua, arruaças, podem atacar com paus, tijolos ou agredirem moralmente.
Um dia esses equívocos todos devem terminar. Sabe quando fazemos juízo de alguém, laborando com premissas falsas?
Os conceitos que formamos sobre bases inverídicas resultarão também em conclusões distantes da realidade. E ao propagarmos essas noções equivocadas, estaremos contribuindo para a perpetuação da injustiça.
A paz é fruto da justiça, pode ter a certeza. Enquanto não houver a reposição do que foi subtraído, saiba que haverá sempre algo a incomodar.
Os responsáveis pelos desequilíbrios numa sociedade sabem o dano que promovem. Mas ao invés de reparar o erro primário, procuram conduzir as coisas de forma equivocada da qual aconteçam novos e sucessivos males.
Por exemplo: um sujeito furta muito dinheiro da sua vítima, adquirindo, com o produto do seu crime, centenas de imóveis em diversos bairros de uma cidade.
Acontece que a simples menção do nome do desapossado evoca no criminoso as barbaridades cometidas. Então, ao invés de devolver o que não lhe pertence, resolve matar o espoliado.
Diante do argumento de que hoje em dia, no Judiciário, as coisas não são tão equilibradas, surgem os espectros e as somatizações.
Então quando vemos pessoas extremamente ricas, mas sem saúde nenhuma, impossibilitadas, portanto, de usufruir o produto dos seus deslizes, convencemo-nos de que mais vale o pouco na paz, do que o muito na tormenta eterna.
A senhora insensatez é irrequieta, é uma ingênua que não conhece nada. Ela fica sentada na porta da casa, num banco de onde domina a cidade. Daí, ela chama os que passam e que vão seguindo pelo caminho reto: “Os ingênuos venham aqui. Quero falar aos que não têm juízo. A água roubada é mais doce, e o pão comido às escondidas é mais gostoso”. Eles não sabem que na casa dela estão os mortos, e que os seus convidados vão para o reino dos mortos.
Donizete Pimenta, o besouro rola-bosta tupinambiquence foi durante algum tempo considerado o chupa-cabras da região. Já lhes contei algumas passagens dessa figura, mas não custa nada mostrar-lhes o que de inusitado tem ainda a tal personagem.
O sujeito era aparentado de Gabrielzinho, o babá sonso, que por ser muito vagabundo, dizia preferir cuidar das crianças, ao invés de trabalhar na prefeitura, feito gente grande.
As suspeitas de que Pimenta também seria um pedófilo, desejoso de se aproveitar das filhas da atual amásia, foram substituídas pela certeza de que o “chupa-cabras” queria mesmo esperar que elas crescessem para então, livre de qualquer possibilidade de acusação, que pudesse enquadrá-lo entre os abusadores de crianças, compensar o tempo que perdera esperando-as crescer.
Na verdade Donizete Pimenta e Gabrielzinho tinham algo que os unia: a tara por crianças. Ambos desempregados chegaram a pensar em fazer, num barracão, que fora propriedade do Charles Bronchon, uma creche onde poderiam dar vazão às doenças que os acometia.
Os crimes praticados por Donizete Pimenta e Gabrielzinho eram do conhecimento das autoridades do município, mas por alguma falha burocrática, os castigos ainda não tinham se concretizado.
Por terem sido gerados por pais irmãos entre si, vieram à luz, tanto Gabrielzinho como Donizete Pimenta, com deformações genéticas perceptíveis nesse tipo de comportamento aberrante.
A própria amásia de Donizete Pimenta também era fruto de cruzamentos consanguíneos, razão pela qual a descendência toda era condenada à demência.
Os altos índices de imbecilidade e idiotia, existentes em Tupinambicas das Linhas, tinham como causa principal o cruzamento entre parentes.
Então era comum ver muita gente babenta puxando carroças pelas ruas sujas da cidade abandonada.
Diziam as más línguas que até mesmo o prefeito da cidade conhecido como Jarbas, o caquético testudo, tinha ascendência consanguínea. Isto é, que seus pais eram parentes entre si. Isso justificaria a calamidade que se transformou a sua administração.
Tanta maldade assim, só pode ser doença. É assim do nada: de repente instala-se o surto, uma espécie de curto-circuito e o tinhoso inicia a lengalenga alucinatória.
Conheço gente que só consegue pensar durante a fala. Isto é, o camarada para coordenar suas ações, revisar atitudes, e relembrar fatos passados só o faz durante os blablablás fastidiosos.
E para que isso ocorra é necessário haver alguém disposto a deixar suas orelhas à disposição. Tem gente que cobra por isso, fato que considero correto, normal.
Mas existe o tinhoso que abusando da insipiência da concubina e do analfabetismo dos enteados, corrompe-lhes a alma durante horas, nas quais destila o seu mau humor doentio.
Só depois de bem cansado e ter notado o quanto encheu a paciência dos parentes próximos, o tal paciente demonstra certo comedimento.
Para a existência desse tipo de personalidade são necessários alguns elementos indispensáveis. Em primeiro lugar é preciso haver um local que transmita segurança. Depois uma relação afetiva que produza a tensão nervosa característica desse tipo de afecção. O terceiro elemento é o analfabetismo que mantém os sujeitos na ignorância bem como os obnubila com as crendices e superstições. Em seguida o quarto elemento seria a presença constante de drogas euforizantes tipo álcool, maconha e crack. Logo depois o quinto elemento: a ociosidade, sustentada por pensões alimentícias, pagas pelos pais biológicos das crianças em poder do demente.
Pronto. Você está diante de uma bomba relógio prestes a causar dolorosas experiências morais e físicas nas suas vítimas, nas pessoas do entorno.
Para os religiosos, esse tipo danoso não deixa de ser uma criatura de Deus, que não estaria com Deus. Mas por que essa gente não estaria com Deus? Porque Deus é amor, e as atitudes efetivadas por esses indivíduos caracterizariam crueldades irrefreáveis.
Para os psiquiatras o exemplar que tem atitudes sádicas, possue baixa auto-estima, desmerece os demais, passa a maior parte do tempo hostilizando, e demonstra ausência de remorso é psicopata; isto é, portador de afecções mentais perigosas para ele mesmo, para os parentes mais próximos e vizinhos. Para agredir fisicamente ele tanto pode usar tijolos, o espancamento ou estressar com ruídos e intoxicações por tinta spray.
Todo ódio, toda a inveja, toda a ignorância, toda a crueldade e toda a estupidez suscitadas por seu desejo de ser sacerdote, profeta e rei, caíram sobre Ele crucificando-o.
Todo o desprezo, toda a desconsideração, toda maledicência, violência, incompreensão, analfabetismo e burrice foram compensados pelos sofrimentos causados pela coroa de espinhos, pelos cravos nas mãos e nos pés.
Toda a miséria, pobreza de espírito, xingamentos e covardia desapareceram ante os estertores daquela paixão.
A ressurreição dos mortos, pela bondade de Deus, possue a eficácia originadora dos mesmos milagres. Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Donizete Pimenta era um cara muito chato. Ele teimava em fazer seu enteado passar a noite toda acordado para que ouvisse as histórias que tinha pra contar.
Por ser incapaz de contrariar a vontade do Pimenta chato, o menino fazia as vontades do cara. Na verdade o mocinho queria dormir para acordar esperto, sair às ruas e gozar os prazeres do ar livre e do sol abundante.
Mas não. Nada disso. Para morar naquela casa, comer daquela comida o menino tinha que submeter-se ao Donizete Pimenta, o sujeito mais implicante que a Vila Dependência já vira.
Até mesmo o prefeito da cidade o ilustríssimo senhor professor doutor Jarbas exclamava, quando no gabinete alguém mencionava a agitação promovida pelo tal Pimenta:
- O quê? Misericórdia, não me fale nesse assunto. Pelo amor de Deus!
E assim seguia a sina do garoto que já evidenciava sinais de efeminação. É que por ser bastante rude e cruel Donizete só parava de agredir, tanto moral quanto fisicamente o seu enteado, quando este apresentava reações próprias das meninas.
Então pra não apanhar e ser xingado, o garoto tinha que desmunhecar. E como ele já se tornava um adolescente, a certeza de que sua escolha sexual seria o homossexualismo evidenciava-se a cada dia.
Na vizinhança ninguém esperava outra coisa. O enteado do Donizete seria o mais novo, belo e lindinho gay produzido em Tupinambicas das Linhas.
Na noite de domingo para segunda-feira o obsessor contara a mais torturante história sobre os médicos, enfermeiros e banheiros públicos. Quase ninguém sabia, mas Donizete era paradão em banheiros.
Diziam os vizinhos da esquina que o Pimenta ficava ligado o dia todo escutando os barulhos que chegavam das casas do entorno. Quando alguém puxava uma descarga ou ligava um chuveiro ele se excitava todo.
O pessoal do centro de reabilitação de Tupinambicas das Linhas não tinha como medicar o Donizete, pois ele mostrava-se refratário aos apelos das autoridades. Com isso a inquietude propagava-se pela cidade, do mesmo jeito que a dor de uma infecção na unha encravada dum dedão, se irradiava pra todas as demais partes do corpo.
Mal sabia o moço perturbado, que as palavras proferidas por ele, ali naquele quintal sujo, depois de girarem pelo mundo, retornariam com a força sextuplicada para ele mesmo.
Quem não conhece a história do bater das asas da borboleta? Se um simples movimento, de um bichinho tão delicado, desencadeia uma miríade de ocorrências para todas as pessoas, imagine os desastres que provocavam as palavras carregadas de ódio, proferidas diuturnamente pelo famoso Donizete Pimenta.
O pintor Paulo Souza dos Santos, 28, foi detido ontem (22) após admitir ter pichado a imagem do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Ele foi ouvido durante três horas na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, no bairro São Cristóvão, zona norte da cidade, sendo liberado em seguida.
Na delegacia o pichador esteve acompanhado pelo cantor Waguinho, pelo pastor evangélico Marcos Pereira e pelo advogado Alexandra Magalhães Braga. No seu depoimento que durou três horas, Paulo Souza dos Santos confirmou a participação de Edmar Batista de Carvalho, o Zabo.
Souza dos Santos disse que na noite de quarta-feira (14), ele e Edmar Batista de Carvalho subiram até o Cristo Redentor pelos trilhos do bonde que leva até o monumento, aproveitando os andaimes, instalados em virtude de uma obra de restauração, para alcançar o rosto da estátua de 33 metros de altura. Os dois picharam mensagens como “cadê a engenheira Patrícia?”, “Cadê Priscila Belfort?” e “Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa”, além das assinaturas “Zabo” e “Aids”.
Depois do crime Paulo procurou a igreja evangélica Assembléia do Deus dos Últimos Dias (ADUD) em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde foi aconselhado pelo pastor Marcos Pereira a se entregar às autoridades.
Segundo o advogado, que também pertence à igreja, Edmar Batista de Carvalho entrou em contato com a ADUD, mas não retornou. Espera-se que ele se apresente à polícia no início da semana que vem.
Diante da delegada titular Juliana Emerique de Amorim, o criminoso se disse arrependido, afirmando que sua intenção não era a de profanar ou ultrajar o cristianismo. Depois disso ele teria pedido desculpas ao povo fluminense e à arquidiocese do Rio de Janeiro.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o trabalho de limpeza das pichações deve durar 15 dias.