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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pintor é detido por pichar o Cristo Redentor

O pintor Paulo Souza dos Santos, 28, foi detido ontem (22) após admitir ter pichado a imagem do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Ele foi ouvido durante três horas na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, no bairro São Cristóvão, zona norte da cidade, sendo liberado em seguida.

Na delegacia o pichador esteve acompanhado pelo cantor Waguinho, pelo pastor evangélico Marcos Pereira e pelo advogado Alexandra Magalhães Braga. No seu depoimento que durou três horas, Paulo Souza dos Santos confirmou a participação de Edmar Batista de Carvalho, o Zabo.

Souza dos Santos disse que na noite de quarta-feira (14), ele e Edmar Batista de Carvalho subiram até o Cristo Redentor pelos trilhos do bonde que leva até o monumento, aproveitando os andaimes, instalados em virtude de uma obra de restauração, para alcançar o rosto da estátua de 33 metros de altura. Os dois picharam mensagens como “cadê a engenheira Patrícia?”, “Cadê Priscila Belfort?” e “Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa”, além das assinaturas “Zabo” e “Aids”.

Depois do crime Paulo procurou a igreja evangélica Assembléia do Deus dos Últimos Dias (ADUD) em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde foi aconselhado pelo pastor Marcos Pereira a se entregar às autoridades.

Segundo o advogado, que também pertence à igreja, Edmar Batista de Carvalho entrou em contato com a ADUD, mas não retornou. Espera-se que ele se apresente à polícia no início da semana que vem.

Diante da delegada titular Juliana Emerique de Amorim, o criminoso se disse arrependido, afirmando que sua intenção não era a de profanar ou ultrajar o cristianismo. Depois disso ele teria pedido desculpas ao povo fluminense e à arquidiocese do Rio de Janeiro.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o trabalho de limpeza das pichações deve durar 15 dias.





terça-feira, 16 de março de 2010

Até onde vai a tua coragem?

A agressão moral ou verbal indica muito bem quem é o seu autor e a educação que teve. Mas a violência física é terrível. E ela torna-se pior ainda, quando o agente está alcoolizado.

E pode ter certeza: o analfabetismo possui muito a ver com isso tudo. Agora imagina um sujeito bêbado e violento, que tem dificuldades pra se adaptar à sociedade, por não dispor da felicidade de se educar com a leitura, por exemplo.

É um problema sério. Quer mais uma agravante nisso? Além de alcoólatra, analfabeto e violento, o cara se considera muito inteligente. Ai, meu amigo, você está complicado.

Mas vamos embaçar mais ainda as suposições do leitor: você está diante de alguém analfabeto, agressivo, alcoolizado, que se considera esperto o suficiente para agir em conjunto com gente igual a ele. Pronto, você está ferrado.

Agora veja: é um grupo, uma turba, uma manada bêbada, analfabeta, agressiva e crente que pode acabar contigo. Já imaginou o tamanho da enrascada?

Já pensou se eles te param numa esquina, e assim como se não quisessem nada, lhe propõem algo indecente que você, desde o princípio, se negaria a fazer? Até onde vai a sua coragem pra contradizer a opinião da quadrilha, mantendo-se firme nos seus propósitos?

A violência, a agressividade, o alcoolismo, a consciência de pertencer a um grupo, e o analfabetismo não têm coloração. Podem compor qualquer pessoa, seja ela de que raça for. Além de não serem características principais de algumas raças, esses atributos não são próprios de uma só localidade. Estão distribuídos por todo o planeta.

Imagine só: você deixaria de repelir um ataque feito por uma pessoa embriagada? Ou seja, por estar bêbado o tal agente de uma agressão física, não deveria ser contido? Você acha que a embriaguez livraria o cidadão da culpa?

Eu acredito que a defesa própria é um dever. O indivíduo tem de proteger a sua integridade física e a própria vida, mesmo que o meliante esteja completamente encharcado de cana.

Mas o pior de tudo seria se o meu leitor se visse num enredamento tal que se batesse no bêbado, seria condenado, pela opinião pública, por agredir um coitado. Se apanhasse seria achincalhado por apanhar de um bebum. Já imaginou?

Tem gente que não vive sem a satisfação que lhe dá presenciar as brigas entre semelhantes. E depois, se afastando, justificam dizendo: “Vocês que são brancos, que se entendam”.



segunda-feira, 15 de março de 2010

Se segura, malandro!

A gente se acostuma com tudo. Até mesmo com a tinta spray que os psicopatas lançam diariamente dentro da sua casa. Sabe que já estou gostando? Dá um barato legal. Não consigo mais me ver passando um dia sequer, sem aspirar o produto da obsessão desses seres danosos.

Que seja coisa do demônio eu não duvido. O tinhoso resolveu incorporar nos fracassados e quando percebem a janela aberta, escancaram logo as válvulas pelas quais vazam os fluídos do inferno.

O camarada que a comanda é viciado no elemento e acho que procura me fazer ver que o barato, que a coisa provoca, não é tão ruim assim. Mas com psicopata você precisa ter cuidado. Ele pode sair correndo atrás de você com uma faca, ou encher sua cara de tijoladas. E daí? Você vai reclamar pra quem?

Já me disseram pra fazer um churrasco, dar pão, cerveja, cigarro e pinga pros loucos. Mas eu não consigo fazer isso. Tem a tal bunduda, de calcanhares rachados, que passa sempre defronte a minha casa, olhando de soslaio, e procurando ouvir os ruídos. Tudo serve pras fofocas do dia, pro fomento da animosidade.

A miséria do espírito é muito pior do que a pobreza material. De um jeito ou de outro você pode se rodear de bens materiais. Mas pra sair da ignorância eu não conheço outro jeito que não seja o de estudar, adquirir o conhecimento.

Como é que o diabo conseguirá isso se é analfabeto de pai, mãe e enfermeira? Então você fica à mercê dos degenerados. A polícia não pode fazer nada. Os psicopatas não cometem crimes. O Judiciário estaria tão aporrinhado, com tanta coisa pra julgar, que a decisão sobre mais uma bagatela seria inócua.

Matar os psicopatas a pauladas não daria certo. Na cadeia, certamente as noites teriam muito mais tinta do que agora. O que nos resta? Rezar pra que os loucos se emendem e tenham um pouco mais de educação e civilidade? Quem sabe?

Os milagres acontecem. Mas psicopata é psicopata. O sujeito que deixa de puxar carroças e passa a viver de pensão alimentícia, certamente obteve uma ascensão social. Saiu de baixo pra um patamar acima. Mas não aprendeu as regras seguidas no seu novo núcleo. Ele ainda segue com a mente formada no lixo, na sarjeta, no meio das baratas, das moscas, no mau cheiro da bosta e do mijo que o rodeava.

Então o conflito. Como é que você vai ensinar os bons modos dos civilizados aos deficientes ociosos que não precisam trabalhar pra viver? É jogo duro, mano! Você precisa ter um saco enorme, uma paciência de Jó.

E como diria o Dicró:

- Se segura, malandro!

quarta-feira, 3 de março de 2010

A Fábrica de Automóveis Tupinambiquence

Diziam em Tupinambicas das Linhas que Jarbas, o caquético testudo, provando ser seu governo o melhor que a cidade jamais tivera, construiria uma fábrica de automóveis.

Os comentários eram oportunos. As eleições se aproximavam e, da mesma forma que durante esses períodos o pessoal do partido retomava as balelas sobre a ferrovia, sua reativação e expansão, desta vez, falavam também sobre os automóveis tupinambiquences.

O Diário de Tupinambicas das Linhas vinha todo dia recheado com as notícias sobre o prefeito. Nas colunas sociais, na página de opinião, de negócios e todas as demais, as matérias sobravam com elogios e afagos.

Jarbas achava que fazia o que podia pela cidade. E segundo seus assessores, “quem faz o que pode, a mais não é obrigado”; no entanto era deficiente o atendimento à população carente, da periferia, nos postos de saúde; o ensino nas escolas públicas nunca estivera tão ruim.

O Tribunal de Contas do Estado de São Tupinambos reprovara diversas vezes seguidas, a utilização das verbas públicas, enviadas pelos executivos estadual e federal.

O município preferia a construção de viadutos e asfaltamento das ruas já calçadas, para onde carreava os valores recebidos, do que melhorar os salários dos professores municipais.

A merenda escolar também foi esquecida; as crianças não se alimentavam durante o tempo em que permaneciam nas escolas.

Muitas ruas da periferia não tinham asfalto e a poeira levantada pela passagem dos carros, causava danos respiratórios aos idosos e crianças.

Mesmo assim Jarbas queria construir a tal fábrica de automóveis. Ele justificava a teimosia afirmando que haveria emprego para milhares de pessoas.

O prefeito e sua equipe viajaram diversas vezes ao exterior, objetivando convencer os empresários a se instalarem no município. A fábrica ganharia, de presente, áreas enormes de terra bem como a isenção de impostos por cem anos.

Tanto fizeram Jarbas e sua equipe que realmente o seu sonho se concretizou. Depois de algum tempo os primeiros carros tupinambiquences começaram a rodar nas ruas da cidade.

Convencido do sucesso Jarbas achava que ganhar as próximas eleições seria fácil.

Veja o teste de um dos primeiros carros construídos em Tupinambicas das Linhas. A fábrica, que ganhou áreas enormes de terra e isenção de impostos por cem anos, foi trazida do oriente por Jarbas e sua equipe.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A vingança da Rosinha

 A vovó Rosinha levantou-se bem cedo na quarta-feira e sentindo o gosto do mau hálito horrível, botou a língua enorme para fora, caminhando assim até o banheiro onde a olhou no espelho.

A bocarra da Rosinha estava já sem os dentes e o tamanho avantajado da língua fizeram seus pais imaginarem, logo que ela nasceu, ser aquele neném esquisitinho, um tanto quanto que diferente das outras crianças.

Ao se olhar no espelho Rosinha viu os cabelos cinza desgrenhados e escassos que lhe adornavam o rosto inchado. A medicação psiquiátrica receitada pelo doutor Silly Kone fazia-a dormir bem, no entanto a ressaca na manhã seguinte era desagradabilíssima.

A mulher percebeu que seu ventre, avolumado, não permitia que ela visse os próprios pés, cujas unhas estavam deterioradas. As micoses corroeram as dos dedões deixando um aspecto horrível.

Os braços manchados, com as marcas dos embates dos tijolos, pedras, areia, saibro e cimento, por ela usados nas reformas das casas, de sua propriedade, exibiam feridas inflamadas, por vezes frequentadas pelas moscas, durante boa parte dos dias.

Quando a velhinha chegou à cozinha encontrou Gererê o marido a quem considerava um traste, mas indispensável.

- Já fiz o café, Rosinha. Ocê demorou pra acordar hoje. O que foi? Errou na dose do hipnótico? – indagou ele mordendo um pedaço de pão com mortadela.

- Nada disso. Demorei pra pegar no sono. Estava pensando naquele inquilino que não paga o aluguel faz 7 meses. – o mau humor da mulher era perceptível no seu tom de voz agressivo.

- Hoje nós vamos até lá e a gente bota todo mundo pra correr. Ocê vai ver só. – Gererê era um homem decidido, famoso por resolver suas questões com bate-bocas homéricos, que humilhavam os oponentes diante dos vizinhos.

- Não vou hoje, não. Logo cedo tenho que ir na comadre Diva. Foi ela que me vendeu aquele terreno que não vale nada. Quero trocar, negociar outra coisa. – respondeu a vovó sentando-se para o café matinal.

Gererê que terminara a refeição sacou do maço um cigarro, tirou dele o filtro e o acendeu. Assoprando a fumaça por cima da cabeça da mulher e coçando o saco, quis saber se ela demoraria na visita à comadre Diva.

- Não vou demorar. É só o tempo de rasgar aquele contrato. Dizem que o loteamento não está certo. Que o Jarbas e também o Zé Lagartto estão envolvidos numa fraude com terras – respondeu Rosinha sorvendo o seu café sem açúcar.

Gererê levantou-se, puxou a calça que se entranhara no vão dos glúteos e saiu arrastando as havaianas rumo ao banheiro.

- Vê se fecha a porta! – gritou a velhota antes de ouvir os ruídos da depuração.

Num segundo Rosinha pareceu sair do ar. Seu olhar desconectou-se dos objetos que a rodeavam e, com a xícara parada defronte os lábios, cotovelo fincado na mesa, ela viu-se no dia do casamento.

Os preparativos para a festa foram emocionantes, inesquecíveis. A maioria dos parentes mais próximos, os vizinhos e até os filhos – sim os filhos, pois quando Rosinha se casou, já tinha três filhos – todos se uniram para promover a maior e melhor festa de casamento que a Vila Dependência, de Tupinambicas das Linhas jamais vira. Foi a glória! Teve até rojão e bombinha.

Como se fosse um autômato Rosinha levou a xícara à boca e sorveu um gole de café. Mas quase engasgou quando se recordou que durante a cerimônia, ao tomar o vinho, oferecido pelo sacerdote, perdeu a ponte caída dentro do cálice.

Sem se sentir muito constrangida, a noiva botou a mão dentro do recipiente tirou de lá a prótese e a encaixou entre os caninos.

Quando terminava o seu café Rosinha pôde ouvir lá do quarto o grito de Murino, o filho babá, que pedia pra ser atendido.

De dentro do banheiro Gererê esgoelou:

- Quando vai ser a próxima consulta, dessa coisa, com o Silly Kone?

Naquele momento Rosainha não quis nem saber. Vestindo rapidamente uma saia verde, os chinelos havaianas amarelos e uma blusa cor de rosa, ela saiu para caminhar pelas ruas de Tupinambicas das Linhas. Naquela manhã ela não tinha hora pra voltar. De tão ressentida ela seria capaz de encher a casa do vizinho com uma tonelada de tinta spray.