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segunda-feira, 26 de abril de 2010

O babá Pimenta

Donizete Pimenta era um babá muito complicado. Ele tinha sob seus cuidados quatro crianças, mas quem o conhecia podia garantir ser ele incapaz de cuidar de si próprio. Como ter a certeza de que os infantes tutelados por alguém que confundia “a Leila na Câmara” com “a lei lá na câmara” seriam pessoas normais?

Se a causa dos equívocos fosse a mania de beber, como ocorria com o Van Grogue, pelo menos havia a esperança de que a supressão do elemento danoso, equilibrasse o seu comportamento.

Mas não era bem assim. Donizete tinha alguns parafusos a mais, entornos e contornos menos acentuados, que o diferençavam das demais pessoas do quarteirão. Semelhante a um rádio defeituoso que não se podia desligar, Pimenta com uma dinâmica irrefreável, delirava dia e noite.

Os surtos alucinatórios que o acometiam deixavam sua velha mãe numa situação de dúvida. Como proceder diante daquele estado que já perdurava quase uma década? Afinal seu filho era tomado por maus espíritos, estando portanto obsedado, ou sofria mesmo de uma doença psiquiátrica?

A senhora idosa, um tanto quanto que barriguda e de calcanhares rachados, não podia garantir ser aquele homem, do seu ventre nascido, um exemplo de saúde mental perfeita, mas não admitia a ideia de que convivia com um psicopata agitado.

Para a mamãe do Pimenta a culpa da intranquilidade do fiho era de uma vizinha que o fazia confundir “a Paula traz” com “ a pau lá atrás”. A velha senhora viúva, que “perdera o marido oleiro para a pinga”, desconfiava que não teria tantos momentos felizes, depois que o Donizete decidiu trazer para dentro de casa a fogosa Helena Cristina.

A nora vinha de outro relacionamento e trazia consigo três filhos de pais diferentes. A consciência de que a nova companheira tinha direito a três gordas pensões alimentícias, pagas pelos pais biológicos, foi muito mais preponderante, na decisão do Pimenta de aceitar a mulher, do que propriamente os seus encantos físicos.

Portanto diante de uma situação financeira confortável, Pimenta pôde dispensar o trabalho. E como permanecia dentro de casa sem ter o que fazer, foi incumbido pela mãe e amásia, de entreter as crianças. Donizete era então o babá oficial da família.

Mas como as crianças educadas pelo Pimenta já apresentavam problemas de saúde e comportamentais, tanto sua mãe como a mãe das crianças passaram a confabular, com mais frequência, sobre uma possível deterioração mental do pobre Donizete.

O fato de Pimenta agir com muita agressividade contra os enteados fazia os parentes mais próximos acreditarem que um dia ele mesmo seria espancado com força semelhante ou até maior.

Mas se o Pimenta seria ou não esculachado, do jeito que fazia com quem não podia se defender, era um problema que não cabia a ninguém decidir. A não ser por suas vítimas, é claro.



terça-feira, 16 de março de 2010

Até onde vai a tua coragem?

A agressão moral ou verbal indica muito bem quem é o seu autor e a educação que teve. Mas a violência física é terrível. E ela torna-se pior ainda, quando o agente está alcoolizado.

E pode ter certeza: o analfabetismo possui muito a ver com isso tudo. Agora imagina um sujeito bêbado e violento, que tem dificuldades pra se adaptar à sociedade, por não dispor da felicidade de se educar com a leitura, por exemplo.

É um problema sério. Quer mais uma agravante nisso? Além de alcoólatra, analfabeto e violento, o cara se considera muito inteligente. Ai, meu amigo, você está complicado.

Mas vamos embaçar mais ainda as suposições do leitor: você está diante de alguém analfabeto, agressivo, alcoolizado, que se considera esperto o suficiente para agir em conjunto com gente igual a ele. Pronto, você está ferrado.

Agora veja: é um grupo, uma turba, uma manada bêbada, analfabeta, agressiva e crente que pode acabar contigo. Já imaginou o tamanho da enrascada?

Já pensou se eles te param numa esquina, e assim como se não quisessem nada, lhe propõem algo indecente que você, desde o princípio, se negaria a fazer? Até onde vai a sua coragem pra contradizer a opinião da quadrilha, mantendo-se firme nos seus propósitos?

A violência, a agressividade, o alcoolismo, a consciência de pertencer a um grupo, e o analfabetismo não têm coloração. Podem compor qualquer pessoa, seja ela de que raça for. Além de não serem características principais de algumas raças, esses atributos não são próprios de uma só localidade. Estão distribuídos por todo o planeta.

Imagine só: você deixaria de repelir um ataque feito por uma pessoa embriagada? Ou seja, por estar bêbado o tal agente de uma agressão física, não deveria ser contido? Você acha que a embriaguez livraria o cidadão da culpa?

Eu acredito que a defesa própria é um dever. O indivíduo tem de proteger a sua integridade física e a própria vida, mesmo que o meliante esteja completamente encharcado de cana.

Mas o pior de tudo seria se o meu leitor se visse num enredamento tal que se batesse no bêbado, seria condenado, pela opinião pública, por agredir um coitado. Se apanhasse seria achincalhado por apanhar de um bebum. Já imaginou?

Tem gente que não vive sem a satisfação que lhe dá presenciar as brigas entre semelhantes. E depois, se afastando, justificam dizendo: “Vocês que são brancos, que se entendam”.



sábado, 8 de agosto de 2009

Sem limites


A agressividade é uma propriedade dos seres animados. Disso ninguém duvida. Os próprios vermes que infestam os cadáveres, para se nutrir da podridão, agem rompendo as estruturas antes formatadas.

O que diferencia as bestas-feras dos seres humanos é a propriedade que estes têm de racionalizar, ou seja, verbalizar as emoções que os acometem. As bestas-feras não possuem esse atributo racional.

As pessoas civilizadas conversam, comunicam seus desencantos, suas frustrações e tentam transformar a tensão dos mal entendidos em compreensão e paz. Ao contrário, os bichos selvagens, agem com agressividade, por não disporem dessa, digamos graça para o entendimento.

Esses bichos-feras podem inclusive, brandindo a Bíblia, tentar sufocar todos aqueles com quem antipatizam. Ocultos nas trevas não gozam da mansuetude e não conseguem vivenciar o equilíbrio, a paz, a homeostase. Parece que o silêncio as atemoriza tornando-as loucas, inconseqüentes.

Apesar disso não deixam de ser elas também, as bestas-feras, uma criação daquele que tudo fez tudo criou. Ocorre que se a bondade cristã não se assenhorear do terreno maligno, a crueldade pode alastrar-se contagiando os do entorno.

Há núcleos perturbados, existentes numa comunidade, que preferem incitar nas crianças a agitação, o barulho e a confusão como entretenimento ao invés de as educarem com os livros infantis, ou com os programas próprios da TV.

Nesses grupos irregulares, a tensão gerada no ambiente, leva à opressão e violência contra as crianças propiciando a instalação das bases daqueles adultos insociáveis, loucos, agressivos.



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terça-feira, 28 de julho de 2009

Nos tempos de antanho


Quando éramos crianças, meus irmãos Flávio Barbosa Zocca, Fúlvio Zocca Júnior e eu, não raro brincávamos de “luta de espada” na Rua Benjamin Constant, no trecho entre a Ipiranga e Riachuelo. Com pedaços de madeira conseguidos na Fábrica de Barcos dos Irmãos Adâmoli, que ficava defronte nossa casa fazíamos espadas e escudos com os quais digladiávamos nas calçadas, para o horror da vizinha dona Amélia Caetanel, que via naquelas brincadeiras as coisas do diabo.
Logo que saíamos para as brincadeiras surgiam os demais moleques da região: Mário José Caetanel, Luciano de Freitas Ferraz, Paulo Zaia, Marcos Adamoli, Márcio e Marcos Marafon, Sidney Morgan, Renato e Antônio Cobra Monteiro e, Dinho Thomazielo.
Os machucados nas mãos, provocados por golpes das espadas eram tão freqüentes que começaram a produzir um movimento contrário àquelas diversões.
Um dia quando cheguei da escola – Grupo Escolar Barão do Rio Branco - não encontrei mais o “armamento” sendo que ninguém se dispunha a dizer o que havia acontecido.
Disposto a esquecer então o incidente tratei de cuidar de outras coisas. Mas visitando meu amigo Mário José Caetanel, numa tarde, pude ver a ponta de uma lança que sobressaia das cinzas do fogão à lenha. Ali estava a resposta para a minha pergunta sobre o paradeiro das “armas”. Ainda bem que ninguém se machucou.
(Foto: Cavaleiro Medieval. Blog/Aguinaldo Silva/Reprodução)




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sábado, 25 de julho de 2009

Boi que atacava na esquina é levado para o sítio


Um boi que parecia perdido e que atacava transeuntes numa das esquinas da cidade, foi encontrado ferido na periferia. O animal descansava perto de uma oficina quando o pessoal chegou para fotografá-lo.

O bicho, que aparentava estar estressado, tinha diversos ferimentos pelo corpo. Depois de amarrado, dois empregados do sítio de onde fugira o mocho, levaram-no para o curral.



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