Já se passaram uma ou duas vintenas de anos, talvez até mais, que a hipocrisia e a predisposição para a hostilidade, se manifestam assim, sem mais nem menos.
São componentes do caráter, como a cor da pele ou a estatura compõem o corpo; por isso não cremos haver a possibilidade de sucesso de qualquer tentativa para a domesticação.
Da mesma forma que o alcoólatra só deixa o vicio no momento em que decide fazê-lo, o pagão hostil só aceitará a paz no tempo que desejar.
São consequências do meio, da genética, da morfologia. Esses verdadeiros focos infecciosos são mencionados no velho testamento e considerados por Cristo como fermento.
Nessa ebulição eterna, a coesão interna do grupamento, só é conseguida com a demonização e a agressão dos alvos exteriores.
A hipocrisia tem muito do camaleão; é inconstante, incoerente e vibra energia podre, negativa. Os quistos são inatacáveis, intocáveis e muito preferidos por políticos sedentos de poder.
São refratários aos ensinamentos cristãos, não compreendem as mensagens de afeto; calcinam as estruturas limítrofes. Respondem com maldades a qualquer bem que se lhes faça.
Desertificam cidades, corrompem mulheres honestas e induzem a conflitos generalizados. Só sai de perto quem pode.
O cigarro é considerado, há muito tempo, o responsável por mais de 30% de todos os cânceres no corpo e 90% pela doença nos pulmões.
O tabaco é um dos inimigos mais ferozes da saúde tanto dos homens como das mulheres. Pesquisas feitas em mais de 40 hospitais da Inglaterra envolvendo 1500 pessoas revelam que as mulheres estão mais sujeitas ao câncer provocado pelo fumo do que os homens.
Não se tem certeza do porque as mulheres são as mais suscetíveis de adoecerem por causa do cigarro.
Mas, as combinações entre fumo, pílula anticoncepcional e vida sedentária são os fatores que influem e pesam mais na balança.
Especialistas também atribuem os malefícios da doença às fórmulas dos cigarros e as formas como as mulheres aspiram a fumaça. Sabe-se que elas dão tragadas mais curtas e intensas do que os homens.
O medo diante da perspectiva de contração dos cânceres não é fator inibidor do hábito de fumar. A advertência impressa nos maços não consegue impressionar as fumantes.
As mulheres tabagistas dizem que o prazer causado pelo fumo é maior do que o temor de uma doença. E por isso não se importam com a possibilidade de adoecimento.
Marina Célia Caetano, 40 fumante há 20 anos, teria deixado o vício há muito tempo se sentisse medo de adoecer. Ela e a irmã Ivone, 18 dizem que o pai falecido fumou até o dia em que morreu.
A mãe das moças, Ângela R. Caetano, 60, retirou um tumor do seio em 98, passou pela radioterapia e seguiu fumando tranqüilamente sem piores consequências.
No Brasil de hoje o câncer de pulmão é o mais fatal, tanto para o sexo masculino, como para o feminino.
Diva Cristina sentia-se aborrecida naquela segunda-feira. Seu filho mais velho abandonara a escola alegando que todos o zoavam por ser muito feio e demorar a responder as questões apresentadas, na classe, pela professora.
Seu marido Augusto não obtinha bons resultados na selaria devido ao fato de as pessoas usarem, nos dias atuais, mais automóveis do que cavalos ou charretes.
Diva Cristina sentindo então as dificuldades trazidas pela escassez de trabalho do marido resolveu ela mesma ir à luta, oferecendo-se como faxineira. Ela trabalharia uma vez por semana, recebendo por isso o numerário equivalente ajustado.
A insegurança que a envolvia, por não ter experiência na atividade, seria minimizada pela amizade e o carinho que esperava do seu primeiro cliente: Diva Cristina faxinaria a residência de um parente morador na vizinhança.
No primeiro dia de trabalho, que ela começou logo depois de ter atravessado a rua, que separava as duas casas, consistiu em varrer a sala, espanar os móveis, lavar a louça usada no jantar da noite anterior, lavar a garagem, varrer o quintal e por fim, enxaguar o banheiro tirando dele todos os odores nefastos.
Na semana seguinte Diva retornando, fez os mesmos serviços. Ela não ficava sozinha na casa. Apesar de a dona, sua parenta, funcionária da fazenda oligárquica estadual, onde permanecia ociosa a maior parte do dia, os movimentos na residência eram acompanhados, de perto, por Mário Heleno, um solteirão barrigudo, tabagista inveterado.
As más línguas do bairro garantiam ser Mário Heleno um verdadeiro sapo boi, por ter algumas semelhanças com o animal. A igualdade não cessava só na aparência física. Mário Heleno, sempre de mau humor, destilava-o com freqüência, nas horas e horas em que passava solitário a murmurar, fazendo-o sempre igual ao coaxar dos batráquios.
Numa ocasião quando Diva Cristina já cansada dos sufocos sofridos com Augusto, que não parava mesmo de beber, e por sentir a angústia que lhe dava o excesso de gente desocupada dentro de casa, saiu para trabalhar, indo, porém com o espírito prevenido. Ela pressentia que algo de muito desagradável estava pra acontecer.
Ao transpor o portão e iniciar o percurso, subindo pela escada traçada sobre um gramado mal cuidado, Diva Cristina pôde ouvir os muxoxos do Mário Heleno que se mostrava bastante hostil naquela manhã.
Por muito pouco os dois não se envolveram numa daquelas discussões constrangedoras infindáveis, em que até os vizinhos alheios aos assuntos se sentem mal.
Por saber a Diva Cristina que a vingança é um prato que se come frio, ela esperou toda aquela raiva do Mário Heleno passar e, num gesto catártico pra ela, tomando a escova de dente do tal gorducho bigodudo, esfregou-a por longos minutos no vaso sanitário.
“A gente ganha pouco, mas se diverte”, pensou ela naquela tarde em que deixou o trabalho tranqüila e bem feliz da vida.