terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Equívoco pode ter causado a morte de Stephanie

A menina Stephanie dos Santos Teixeira de 12 anos morreu no sábado passado (4/12), na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, depois de ser medicada com vaselina liquida, no Hospital São Luis Gonzaga.

Suspeita-se que tenha havido um equívoco no exato momento da escolha dos frascos que continham um o soro fisiológico, e o outro a vaselina.

A pessoa encarregada de atender a prescrição médica pode ter se confundido ao escolher os vasilhames, já que eram semelhantes na forma e cor. A distinção dos produtos vinha escrita nos rótulos colados na parte externa das embalagens.

A vaselina liquida é usada na pele, nos casos de queimaduras. Já o soro fisiológico tem a finalidade de reidratar.

Stephanie foi internada por volta das 15h na sexta-feira no Hospital São Luis Gonzaga, por estar com diarreia, vômitos e dores abdominais.

O médico que atendeu Stephanie, no Hospital São Luis Gonzaga, diagnosticou virose, tendo prescrito o soro fisiológico como terapia.





segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

As Taças

Eram cinco horas da tarde daquele domingo, 28 de novembro, quando Ana Júlia e eu nos sentamos à mesa da varanda.

A tarde estava nublada, mas não havia ventos fortes; a brisa amena trazia os odores e perfumes da vegetação densa do entorno.

Uma sensação esquisita apossava-se de mim; era causada pela ausência do bulício estressante das grandes concentrações citadinas.

O som dos pássaros, dos insetos e animais da fazenda, substituíam os ruídos dos automóveis, máquinas e vozes humanas que sempre nos envolviam no cotidiano.

Podíamos ver e ouvir o cortiço das vespas no topo de uma árvore distante; elas zumbiam e agitavam-se nervosas.

Ana Júlia trouxera uma garrafa de vinho tinto encorpado numa das mãos e, na outra, um prato com queijo Roquefort. Eu havia colocado as taças sobre a mesa antes de me sentar.

Os dois cães da casa, Magna e Justinho deitaram aos nossos pés; esperavam ser agraciados com as possíveis migalhas que sua linda e jovem proprietária pudesse dar-lhes.

Era a minha primeira visita à fazenda da futura sogra. Ana Júlia e eu chegáramos ao entardecer da sexta-feira. Depois do banho demorado, durante o qual fizemos amor, jantamos e fomos para a cama. Havia muito tempo que eu não dormia tão bem quanto naquela noite.

O sábado passou com muitas expectativas e surpresas; fomos ao curral onde ordenhamos a vaca e assistimos aos últimos momentos da gestação de uma cabra.

A prenhez deixou-a bem maior do que sempre fora. Por estar muito pesada, ela passava deitada aqueles momentos finais, antecedentes da parição.

À noite Ana Júlia e eu dormimos de “conchinha”; sob o edredom volumoso, nossos corpos nus repousaram saciados.

Agora ali na varanda, diante do brilho nos olhos verdes da Ana Júlia, do tom claro da sua pele e da alegria na sua voz, harmonizados com os sons da natureza, vi-me inspirado a dar-lhe um anel significante do meu desejo de noivado.

A satisfação de Ana Júlia, impressa naquele rosto lindo e seu sim tímido, estimularam-me a propor um brinde saudando a união.

Unidos erguemos as taças da vitória. Era o sucesso do nosso amor.



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sábado, 4 de dezembro de 2010

A Ira Divina

Gelino Embrulhano era um sujeito mentiroso. Além disso, ele tinha o péssimo costume de, nas reuniões dos botecos que frequentava, quando contava seus casos escabrosos, apontar disfarçadamente com as mãos, as pessoas presentes a quem antipatizava.

Numa ocasião quando Embrulhano procurava mimar o meliante furtador de talões de cheques e um Chevette velho, ele parolava assim, no bar do Maçarico, repleto de simpatizantes:

- Imagine, o cara é um infeliz, um coitado, ele bebe porque o pai dele também bebia. Tem gente que não usa de paciência com esses desvalidos da sorte – enquanto expelia suas ideias, Gelino Embrulhano gesticulava dissimuladamente em direção ao Van Grogue.

Van recebia os recados, mas não atinava na motivação, que fazia o tal Embrulhano, envolvê-lo na quizumba, arrumada pelo libertino maledicente louco.

- Pois o cara é gente simples. Um pobre que não sabe a que veio neste mundo velho de meu Deus – continuou Gelino.

- Mas espera um pouquinho ai. Por favor: digam-me se o sujeito por ser débil mental pode fazer o que deseja na comunidade, inclusive furtar um Chevette e talões de cheques – aparteou Maçarico que esfregava, com certa energia, o guardanapo no tampo do balcão.

- É claro que não pode e não deve fazer o que lhe der na telha. Principalmente se tiver consciência de que não age de maneira correta – interferiu Van Grogue já bastante perturbado pelos gestos indicativos do Embrulhano.

- Gente! Vocês não entendem! Não podemos pagar o mal com o mal – implorou Embrulhano.

- Pelo que eu sei a comunidade paga com o bem, as maldades e maledicências que recebe desse patife, há mais de dez anos. E o miserável não se emenda. Assim não dá, assim não pode – reforçou Edgar D. Nall.

- É isso mesmo. Pra que dois pesos e duas medidas? Pau de dá em Chico dá em Francisco. “Ferro na boneca”. O tratante já deu provas de que não se emenda. Se quiser drogar-se que se mude pra bem longe – reforçou Maçarico.

- Imagine se tem cabimento isso: o retardado mental rouba o carro do trabalhador, o talão de cheques do comerciante, boqueja idiotices o tempo todo, e são elas, as vítimas, que precisam de amparo médico. Vá vendo. Que absurdo! – esgoelou Van Grogue tomado pela ira divina.

- Quem dá proteção a esses malefícios é o Jarbas, o caquético. Esses detonadores da comunidade fazem parte do curral eleitoral do prefeito e do deputado estadual Tendes Trame – informou Zé Cílio Demorais, o proprietário do Diário de Tupinambicas das Linhas, que até então se mantivera calado.

O consenso não convenceu Gelino Embrulhano, que no seu íntimo, achava ser preciso dar ao difamador, muito mais do que só bons conselhos ou repassar-lhe os princípios da boa educação.





quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O Gorjeio

Van de Oliveira Grogue pisou com o pé direito, naquela manhã de segunda-feira, a soleira da porta do bar do Maçarico.

- Estou com glaucoma. Já não enxergo mais nada direito. A catarata desandou, o diabetes atacou e olha ai, estou cego. – enquanto falava Van aproximava-se do balcão, onde o solitário Maçarico apoiava o jornal estendido, em que lia as últimas notas policiais.

Maçarico pôde olhar atentamente para os olhos do seu mais tradicional cliente e então disse:

- Por que você não limpa as lentes dos óculos?

Gelino Embrulhano, o novo habitante da Vila Dependência, que se mudara há menos de um mês, no exato momento em que os dois homens miravam-se nos olhos, entrou no boteco.

- A conversa insana daquelas bocas loucas não para assim tão fácil. – falou Embrulhano vendo Grogue que tirava os óculos, limpando-os num guardanapo de papel.

- Mas não é que melhorou mesmo? – informou Van aliviado – Pô maneiro, mano olha ai.

- Maça, me vê ai uma branquinha quente e a loura fresca – pediu Embrulhano.

Maçarico já se acostumara com os jeitos dos clientes do bairro. Ele sabia, por exemplo, que Gelino não gostava de conversa mole, do henhenhém de gente desocupada.

- E ai Embrulhano, meu bom jovem, aquele pessoal conseguiu algum emprego? – perguntou Maçarico servindo o recém-chegado.

- Arrumaram nada. Ficam o dia inteiro sem mover uma palha. Só no garganteio, no gorjeio. É a bolsa família e a tal da bolsa escola que se encarregam de botar o feijão naquelas panelas. Se pelo menos aproveitassem o tempo pra aprender alguma coisa.

- Eu sei como é isso – reforçou Van Grogue – eles ficam girando em volta igual a cachorro querendo pegar o próprio rabo. Viram, viram e não saem do lugar.

- É uma tristeza. Estou desconfiado que o problema ali não seja falta de serviço. Ali a questão é de saúde mental – arrematou Embrulhano.

- O Donizete tem se consultado com o psiquiatra doutor Silly Kone, mas acho que não está tomando os remédios – informou o Maçarico, limpando o tampo do balcão com um guardanapo alvo.

- Eu não sei não, mas estou desconfiado que a solução para aqueles problemas todos talvez seja uma boa sova de couro – concluiu Van Grogue fazendo um brinde ao calor do dia que principiava.

Em uníssono, todos os demais presentes concordaram com a proposta do maior e melhor biriteiro tupinambiquense.

- Só pode ser falta de pancada! – gritou um menino que, parado defronte o bar, escutava a conversa daquela gente importante.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Face de Madeira

Você sabe o que é um cara de pau? Cara de pau é aquele vereador que, sendo analfabeto, apresenta declaração falsa no ato da inscrição da sua candidatura, na justiça eleitoral.

Face de lenha tem o proprietário de jornal que promove “curso” e “exame” para candidatos a vereador.

Cara de pau é o sujeito que comparece ao vestibular de medicina, portando equipamento fraudador; depois que se forma estupra mais de 30 pacientes.

De pau tem a cara, o parente que numa quizumba, escolhe ficar ao lado de quem não conhece, em prejuízo da vítima parental.

Possui a cara de pau também, esse mesmo parente que se nega a testemunhar um fato notório e depois de passados alguns anos, vem com o maior espírito solícito, rogar a presença em festejos.

Cara de pau tem o diretor da escola que passou o ano acicatando os professores e, nas festas de finais do período, pede a todos que compareçam ao jantar que ele pretende ofertar.

Face de madeira tem o suposto colega que, contigo diante de alguém, fala uma coisa, mas quando você já não está por perto, afirma outra completamente diversa.

Cara de pau tem a vizinha que todo mês vem lhe trazer a santa, mas que quando volta pra casa, desanda a murmurar malefícios e a destilar ódio.

Na verdade o cara de pau é o incoerente, o inconstante, o hipócrita, o mentiroso, o inconsequente.

Cara de pau mesmo é o palhaço que não está nem ai com as possíveis consequências que seus atos possam ter.