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sábado, 5 de dezembro de 2009

O Modelo

Tanto os loucos filmados recebendo propina no Distrito Federal, quanto os que roubam bancos, usando a violência, e o jogador de futebol que põe a mão na bola, pra conseguir o gol, têm em comum algo que a grande maioria da população não consegue fazer: violar as regras.


Mas por que dizer serem loucos aqueles corruptos filmados descapitalizando o Estado brasileiro e os ladrões de banco? Porque louco é o excêntrico, o que está fora do contexto, das regras e que por isso é a exceção.

Mas o que acontece quando todo o sistema, conduzido pela intenção de ver vitoriosa a impunidade, é levado à corrupção? Ou melhor: O que pode acontecer quando o quebrantar as regras torna-se modelo?

Quando o transgredir as regras do agir, transforma-se em procedimento aceitável, ocorrerá com o Estado o mesmo que sucede ao corpo animal acometido pelas desordens metabólicas. Ou seja, instala-se o desconforto geral e o tempo de vida se reduz.

O sujeito portador do tipo de personalidade que elege prioritários os seus valores próprios, desmerecendo o bem estar do todo, dos demais, é capaz de, nas licitações de ambulâncias, por exemplo, apoderar-se da coisa que não lhe pertence, sem demonstrar qualquer sinal de arrependimento.

Mas num bairro, numa comunidade, num condomínio, como saber se um sujeito tem a consciência do todo, do coletivo, do conjunto em que está inserido? Percebe-se que um cidadão tem o espírito, digamos comunitário, quando procura respeitar também a paz alheia.

Pode-se dizer então que o maluco bebedor que perturba a vizinhança, com suas festas, fora de horário, tem o mesmo germe que formata o ladrão de bancos e o louco descapitalizador do Estado. O que há de comum nesses extravagantes é o desprestigiar os valores alheios.

Para o doidão que leva o dinheiro público tanto faz, se ele fará falta na aquisição do equipamento hospitalar, se impedirá o asfaltamento das ruas empoeiradas ou se estorvará a instalação da rede de esgoto.

Em outros termos para o doido que enruste o dinheiro da administração, tanto faz se ele fará falta na aquisição do conforto daquelas pessoas que ele nem ao menos conhece.

Da mesma forma, para o psicótico que festeja durante as madrugadas, tanto faz se os ruídos que ele promove, causarão desconforto nos vizinhos que ele nunca viu ou com quem não simpatiza.

É comum nesse tipo de personalidade o fluxo verbal que busca justificar os comportamentos criminosos. A impunidade precisaria, durante algum tempo, uns dez anos talvez, ser substituída pela extirpação sumária. Do mesmo jeito que o agricultor desarraiga a erva daninha da sua horta, à sociedade caberia extrair do seu convívio, esses exemplos de crueldade.

Percebe-se perfeitamente a distinção entre o joio e o trigo, de modo que não haveria perigo de confundir um com o outro, durante o saneamento.


Fernando Zocca.



quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Demo

Veja você o tamanho das encrencas que esses loucos arrumam. O sujeito que deixa seu animal latindo no quintal por horas, dias, semanas e meses seguidos, procurando depois, a pretexto de ensaio de banda musical, perturbar ainda mais o sossego dos vizinhos, tem algo em comum com essa gente flagrada recebendo propina no Distrito Federal: o desprezo pelo próximo, pelos valores que não sejam os próprios.


O bandido que transtorna a paciência da vizinhança pensa antes de tudo em si mesmo, pouco se importando com o bem estar ou a paz de quem está ao lado. O egoísmo é preponderante no maluco bebedor de cerveja, que passa as tardes instigando seu animal a latir e a perturbar a harmonia alheia.

Predomina o princípio do “Dane-se. Os incomodados que se retirem”. Tanto na mente do maluco perturbador da periferia, quando na do calvo mandatário político, a noção de que a formação de um grupo maior, cúmplice, traria imunidade contra as possíveis punições, parece ser idêntica.

A irresponsabilidade herdada dos ascendentes, também devassos, reforçada pelas notícias de impunidade, estimularia gente desse tipo. Por meio dos boatos, falsos testemunhos, eles aliciam muita gente ingênua, formando um grupo totalmente equivocado que procura defender a postura criminosa.

O transtornador seduz parentes, colegas de trabalho da concubina, gente de sindicatos, de casas comerciais e outras entidades civis da cidade com churrascos festivos nos finais de semana, durante os quais dissemina atoardas e falsidades referentes ao antipatizado.

Na busca da formação da opinião pública negativa contra a vítima, tanto o maluco recebedor de propina, quanto o miserável tocador de teclado na periferia da cidade, objetiva negar a existência de qualquer necessidade que não seja a própria.

Então, o doente mental que rouba o dinheiro público não consegue conceber que ele fará falta nas ações que visam suprir as carências da população, enquanto que o doido que martiriza com ruídos, não concebe que o silêncio pode ser imprescindível para as crianças e idosos.

Ora, quem pode assegurar que esses criminosos, tanto os ladravazes dos dinheiros do povo, quanto os atormentadores de periferia, sejam inconscientes da gravidade dos danos que causam? Seria ingenuidade afirmar que os violadores desconheçam a importância dos bens por eles atacados.

A vingança cabe ao Estado que aplicará a reciprocidade. O bandido que subtraiu terá também seus bens subtraídos e o perturbante do sossego público, terá contra si, no devido tempo, o mal que ele gerou.

Os ladrões seguirão roubando e sendo roubados, enquanto que o maluco bebedor periférico prosseguirá pelas veredas do alcoolismo até encontrar pela frente a psicose. É claro que essas insignificâncias, durante o trajeto, não deixarão de projetar, nas suas pobres vítimas as qualidades percebíveis em si mesmo.

O governante que não atentar para a nocividade desses focos infecciosos ou que incentivar a disseminação, com certeza será reconhecido como infrutuoso e desnecessário para o bem comum.


Fernando Zocca.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Derrotado

O que não faz uma câmera oculta hein? Barbaridade! E depois quando todos que garantem a existência da corrupção desbragada, têm sua credibilidade sob suspeita, o crime recrudesce sendo ainda reforçado pela impunidade.


Esquemas criminosos como o das ambulâncias, do Detran, e milhares de outros servem para enriquecer a apenas alguns, enquanto que a maioria formadora do conjunto, do coletivo, sofre com os males da miséria.

Esses derrames do sangue nutridor da nação poderiam ser punidos de forma mais sucinta, rápida e indolor. A supressão desses carcinomas tenderia a proporcionar, talvez, alguns séculos de sobrevida à civilização brasileira.

Quando você passeia pela periferia do Distrito Federal, pode ver o estado lamentável da população e do meio habitado por ela. E você poderá indignar-se ainda mais ao saber que os bilhões e bilhões de reais carreados para os bolsos, bolsas, meias, cuecas e pastas dos espertos, seriam insuficientes para proporcionar um padrão mais digno do eleitor pagador dos impostos.

A cirurgia objetivando a extirpação dos tais tumores cancerígenos, nos países mais rigorosos como a China, por exemplo, equivaleria à execução sumária sem nem mesmo ouvir as desculpas esfarrapadas.

Como reagiriam governos como os da Coréia do Norte, do Japão, de Cuba e de outros países menos dispostos a escutar os discursos escusadores fajutos? Será que a impunidade, que reveste esses casos não teria o condão de despertar nos julgadores a idéia de que “eu também quero e posso conseguir muito mais”?

Ou melhor: será que a impunidade que encapsula esses casos não teria como suporte a noção de que “eu também quero e posso conseguir muito mais do que esses babacas pegos com a mão na cumbuca”?

Não se sabe. É do conhecimento público que a corrupção é uma aberração hoje com a incurabilidade semelhante a do câncer. Esse desarranjo entranhado no âmago das instituições públicas desequilibra a distribuição da seiva, propiciando o gigantismo de algumas áreas e o definhamento de outras maiores e também importantes.

Num grupo criminoso destaca-se o mais cruel. Ou seja o mais destrutivo será mais respeitado, mais temido e bajulado. Nessas quadrilhas de bandidos de colarinho branco, recebem os respeitos e deferências os que mais conseguem burlar os sistemas defensivos institucionais.

E olha, é comum os tais larápios fazerem a opinião pública das pequenas cidades, de onde eles vêm, acreditar que eles são vencedores e não derrotados. Na visão dessa gente, que leva a grana de todo mundo, na maior cara de pau, o derrotado é a população que nem sabe da lesão que sofreu durante todo esse tempo, durante todas essas gestões.

Derrotado é o povo. Derrotada é a população que paga ingenuamente os impostos. Derrotada é a gente da periferia que, quando procura por serviços públicos não encontra.

Vencido é o povo que por meio das suas leis e autoridades competentes não consegue castigar os infratores e impedir a ocorrência de novos surtos.

Se eu pudesse escolher entre ser um vencedor que amealha sua fortuna subtraindo para si a coisa pública, ou um derrotado ciente de que os ladrões serão punidos, eu escolheria a segunda hipótese.

Além de ter a consciência de que o ladrão que rouba o ladrão tem cem anos de perdão, eu ainda consigo crer que a justiça tarda, mas não falha.



Fernando Zocca.



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Os Vitoriosos

Você já viu a quantidade dos escândalos públicos provocados por políticos, mostrados quase que diariamente na TV?

É governador que recria dutos desviantes da “seiva” dos seus caminhos oficiais; é outro que se envolve nas embrulhadas nos Departamentos de Trânsito; é prefeito que supervaloriza preços de móveis, cobra propinas de empreiteiros, valendo-se depois do dinheiro do público para oprimir adversários e por aí vai.

Na sociedade eles se autodenominam vitoriosos, frequentam as páginas sociais dos jornais e das TVs, passando a idéia de que todo o patrimônio que possuem é fruto do trabalho honrado.

Até parece.

Eu já lhes disse que quando era moleque fui vendedor de máquinas de escrever e relógios de ponto?

Se não contei passo agora a fazê-lo. Minha tia Olanda, irmã de meu pai preocupou-se, numa determinada ocasião, ao me ver assim de léu em léu, sem ter o que fazer, numa cidade tão pujante como era Piracicaba daquele tempo.

Então ela me apresentou a um representante comercial, vendedor de máquinas de escrever e relógios de ponto, que denominarei Eliseu, estabelecido no Centro da cidade. Depois de algum tempo de conversação fui admitido e passei a circular a pé pelas ruas com os prospectos do material que vendia.

Ante os sucessivos dias sem qualquer resultado positivo, o representante que me recrutara disse que desejava ter “uma palavrinha” comigo. Por isso eu precisaria estar com ele antes do início do expediente lá na loja, num dia determinado.

E lá fui eu.

Quando cheguei o estabelecimento ainda estava fechado e parado na calçada defronte a casa comercial, esperei o Eliseu que chegava. Ele abriu a porta metálica que ocluía o ambiente e, depois de vê-lo arejado convidou-me a sentar diante de uma mesa dessas de escritório.

Eliseu então passou a fazer uma espécie de palestra num tom baixo, suave, monocórdico e grave, com a qual me aconselhava a deixar a cidade, pois não podia ver nela um futuro bom para mim.

Depois de me dizer que aqui até o delegado responsável pelo Departamento de Trânsito “levava o dele na maciota” garantiu-me o Eliseu que não existia político honesto, mas sim muitas investigações falhas.

O representante comercial Eliseu foi falando, falando, contando que tinha de vender tantas e tantas máquinas de escrever e relógios ponto por ano, pra Prefeitura, para a Câmara Municipal, para o Dedini, pra Esalq, para as escolas estaduais, e não sei mais pra quem.

Ele me garantia que se eu continuasse com aquela produção que demonstrara, morreria logo de fome. O espertíssimo Eliseu dizia que eu deveria acordar o meu lado “esperto” e que não me preocupasse em não praticar atos ilícitos, pois os vitorioso não tinham tantas amarras éticas ou pudores excessivos.

E Eliseu exemplificava dizendo-me que quando renovava o patrimônio da Prefeitura, substituindo as centenas de máquinas de escrever usadas, por outra centena de novas, sempre ganhava um dinheirinho a mais.

Naquele tempo eu não podia conceber qual seria a fórmula aplicada para receber, além do preço do material, o algo mais, arrancado por meio de ardil.

Hoje qualquer estudante adolescente sabe que essa “esperteza” chama-se superfaturamento de preços.

Pra quem ainda não teve contato com o assunto explica-se usando um exemplo da história recente de alguns políticos bem conhecidos. Se uma ambulância custa, para uma Prefeitura, o preço x, o nosso esperto homem de negócios, travestido de político, faz com que ela seja paga com o valor de 2x pela instituição que representa. O fornecedor recebe o seu x e o nosso habilidoso político embolsa o outro x, que após rateado entre os demais participantes da estratégia, incorpora-o ao rol dos seus bens particulares.

Depois então de uma ou mais gestões, impunes, gordos, saciados, satisfeitos, e debochadores, mostram-se vitoriosos nos programas de TV, pagando para estamparem suas fotos nas colunas sociais dos jornais e financiando outras mídias correligionárias.

Bom, eu não tinha vocação nenhuma pra vendedor de máquinas de escrever e, mesmo sem levar algum dinheiro a que teria jus por negócio entabulado, me mandei pra nunca mais voltar.

Você acredita que só porque lhes conto essas coisas um vizinho – funileiro louco – enche minha casa de tinta todos os dias?


Fernando Zocca.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Roube lá e me dê cá

Os escândalos no meio político do Brasil são tantos, provocam o maior bebuliço, mas, no entanto a impunidade vem logo em seguida, para fechar com aquelas suas chaves de ouro os estardalhaços, fazendo tudo voltar à calmaria novamente.

E o dinheiro público surripiado, o meu leitor sabe para onde vai, como é utilizado?

É claro que uma autoridade pública envolvida nesses escândalos nunca está só. Uma governadora de estado, por exemplo, dispõe de uma miríade de cúmplices com os quais deve repartir o produto dos crimes.

Os milhões e milhões de reais, além de acrescentarem mais e mais bens móveis e imóveis, ao rol das propriedades do corrupto, servirão também para o fortalecimento do grupamento que abriga o corruptor.

Sedes, mobiliário, veículos, serão adquiridos e pagos com o fruto dos esquemas minuciosos de burla elaborados contra o eleitor.

Campanhas publicitárias, veículos de comunicação social, produções artísticas, e doações a entidades filantrópicas serão receptáculos dos prêmios conseguidos com a audácia, a cara de pau e o maior cinismo.

Rádios, TVs, jornais, revistas, autores teatrais, e todos aqueles que possam contribuir com a limpeza da imagem pública do político flagrado roubando, serão arregimentados e remunerados com o dinheiro maldito.

Enquanto isso acontece, nos centros, nos palácios governamentais, sedes de governos estaduais, prefeituras municipais, a periferia indigente convulsiona-se com a escassez humilhante conducente ao comportamento antissocial.

Isso não é novo na história de humanidade. Na Rússia, no tempo dos czares a situação era assemelhada. Enquanto os mais espertos usufruíam os privilégios conseguidos com a injustiça, a população penava com a carência.

Não adiantou a revolução feita, os crimes todos cometidos e as vantagens alcançadas. Depois de 70 anos de um regime bem comunista, tudo voltou a ser do jeito que era antes.

Escândalos como os cometidos no Ministério da Saúde do governo federal, naquele tempo do professor Fernando Henrique Cardoso, não conseguem ter os responsáveis punidos.

Não poderia haver dúvidas de que a seiva nutridora da instituição, desviada para galhos mais receptivos, serviria também para serenar as poderosas forças antibióticas coercitivas.

A injustiça criminosa é notável, observável, destaca-se no cenário político nacional, mas não pode ser coibida. E é claro que essa tolerância com o delito estimula comportamentos criminosos parecidos.

Os crimes cometidos por traficantes nos morros cariocas equiparam-se às violações dos políticos bacanas, no momento em que ferem as normas jurídicas instituídas.

Os bandidos das favelas e os políticos corruptos estão em lugares diferentes, têm seus cotidianos diversos, mas possuem algo semelhante entre si: violentam as regras, transgridem as convenções, saqueando a moral e os bons costumes.

Não que o tráfico não deva ser reprimido, longe disso. Mas a corda poderia começar a arrebentar no lado que não fosse tão fraco assim.

Fernando Zocca.


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Cefaléia

A tensão muscular da região posterior do meu pescoço mais o nervosismo me levaram a pensar que deveria fazer, naquela noite, um programa legal, bem feito e memorável. Por isso passei no posto e mandei lavar o carro. Que o fizessem com o maior esmero e capricho.

Passei em casa e lá dormitava minha mãe. Meu pai, se vocês não sabem, digo-lhes rapidamente, que fugiu com a empregada gostosona, logo depois que nasci. Mas, tomei uma chuveirada rápida e nem ao menos jantei. Mandei para o sovaco o desodorante que no dia anterior comprara no boteco esquinal.

Saí à caça. Permaneci na esquina da avenida movimentada durante o tempo suficiente para que a visse. Ela ainda era imberbe. Moçoila mesmo. Era uma adolescente. Não tinha traços de patricinha, mas também não era operária. Como poderia classificar seu tipo? Não lhes poderia responder. Não agora. Mas percebi quando ela apareceu e estacionou o seu ciclomotor defronte a casa de frutas.

Eu a acompanhei com os olhos. Estava decidido. Seria ela mesma. Desci do meu carro e entrei no ambiente cheiroso.

Ela escolhia maçãs quando a abordei. Iniciamos um diálogo e um halo de simpatia nos envolveu. Havia sorriso no seu rosto e alegria no seu falar.

Trocamos informações básicas de forma quase que imperceptível.

Minha sorte foi tamanha que a convenci a deixar sua Monareta estacionada ali defronte o comércio e seguir-me no meu bólido pelas avenidas tortuosas daquela urbe sem graça.

Depois das vinte e duas horas, ela mostrou-se impaciente. Pediu-me para que a levasse de volta eis que seus pais a aguardavam.

Mas eu ainda não fizera nada que me aliviasse daquela tensão responsável por minha cefaléia. Cria que se não tivesse no mínimo dois orgasmos naquela noite não me sentiria bem. Por isso, contra sua vontade entrei bruscamente no motel que ficava afastado.

Sob seu protesto empurrei-a para o quarto e sapecando-lhe uns beijos joguei-a sobre a cama. Ao cair deitada gritou pedindo socorro. Pulei por cima de seu corpo e ao tentar tirar sua roupa rasgaram-se.

Estava excitadíssimo e com sofreguidão tentei penetrá-la. Não deu. Não sei por que motivo, mas de um instante a outro, me vi brocha. O seu rubor e seu ódio ante meu comportamento logo se transformaram em hilária gargalhada.

Quando ela percebeu que me constrangia com seu riso defensivo, mais e mais ria. O sangue me subiu à cabeça. Fiquei cego e dei-lhe a primeira porrada. Ela caiu ao solo carpetado e ficou quieta arfando. Chutei-lhe as costas. Bati sua cabeça no chão e ela perdeu os sentidos. A libido se avolumou no meu sangue e pude penetrá-la no ânus. Houve um rompimento e jorrou sangue. Depois de meia hora tentei outra penetração vaginal. Novamente falhei.

Bati mais na sua cabeça até o momento em que notei a sua respiração: estava parada. Tentei escutar o seu coração, mas um nervosismo forte tomou conta de meu ser. Não conseguia controlar meus movimentos. Meu raciocínio não era do jeito que sempre tinha sido.

Carreguei seu corpo mole, frio e pálido colocando-o no porta-malas do carro velho. Saí procurando disfarçar meu nervosismo. Passei pela portaria sem que ninguém desconfiasse.

Olhei o relógio e estávamos já no dia posterior ao da abordagem. Era madrugada.

Numa rua deserta, mais precisamente na sarjeta deixei seu corpo seminu e estuprado.

Aguardo a justiça divina, pois que a dos homens não me atingiu. Aleguei na delegacia e para o juiz que ela era viciada e que estávamos numa sessão de consumo conspícuo e plenamente consciente das drogas que havíamos adredemente adquirido.
Teria Deus comiseração de minh' alma?

F.A.S.C.





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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Violência contra crianças

Adultos desequilibrados, são na grande maioria, os responsáveis pelo espancamento de crianças, hoje em dia. Percebe-se a injustiça pela desigualdade na relação, colocando nos pratos da balança os elementos constituintes e formadores do grupo.

Comparando crianças com adultos vemos que estes têm maior peso, estatura, e experiências ainda não vivenciadas pela criança. Além disso, os menores dependem dos amadurecidos para sobreviverem.

A maioria das agressões praticadas por adultos contra crianças, ocorre por falta de controle de quem, justamente, deveria mostrar-se à altura de proporcionar educação digna ao pequeno ser.
Além das condenáveis agressões físicas as crianças estão sujeitas às ofensas morais gravíssimas quando, por exemplo, destaca-se o retardamento mental do guri.

Agindo com brutalidade o adulto agressor sinaliza que, tomado pelo estresse, não dispõe de condições convenientes para transmitir educação ao menor. A reiteração desse comportamento, injustificável, poderia suscitar providências restritivas da sociedade.

É necessário reabilitar o adulto agressor, sob pena de permitir que tal situação grave e injusta produza efeitos malignos ao ser em desenvolvimento e até mesmo para a comunidade, no futuro.

Nas famílias onde se observa a violência contra filhos e enteados, geralmente o limiar da “perda da paciência” é muito baixo. E que é comum o uso de estupefacientes tais como o tabaco, álcool e maconha. Nesses casos “o sistema é bruto” e a desculpa mais usada pelo agressor é: “comigo é assim, com meu pai era pior”.

A insônia do agente agressor somada à inatividade laborativa, tendem a agravar a insânia no relacionamento em que a pequena e indefesa pessoa vê-se em total desvantagem.

Esse sistema tosco de educação, não mais se justifica, hoje em dia, diante da publicidade das práticas pedagógicas modernas ao alcance dos responsáveis de boa-fé e bem intencionados.

Na era dos video games como explicar a necessidade de agredir um enteado com a justificativa de conte-lo? A miséria material também não justifica nem autoriza a violência, afinal existem milhares de famílias despossuídas que educam com muito carinho seus filhos.

Quando você bate numa criança, ela aprende a bater.

Podemos observar que nas famílias onde existe agressão física e moral contra crianças há também a ausência das práticas religiosas.

Padrastos são apontados como os maiores vilões insensíveis e agressores de crianças. É comum ver enteado, vítima da violência, recorrer à mãe pedindo socorro, mas que por conveniência, e manutenção do status quo, no final, acabam aprovando ou minimizando a maldade usada.

Observa-se na família do padrasto violento que, geralmente o próprio pai, tem um passado criminoso em que se envolveu em arruaças e agressões físicas usando faca ou pedras.


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