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quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Ponta do Iceberg



O período que antecede as eleições
é propício para os eleitores de baixa renda
ganharem suas dentaduras, dos candidatos
desejosos de se manterem na mamata
      O tempo de eleição para prefeitos e vereadores está chegando e quem não pode perder essa “boca” se prepara como pode.
       Pra quem sabe como funciona o mecanismo desse sistema não deve haver segredo: é chegado o momento de presentear com dentaduras, consultas médicas, internações, doação de botinas, pagamento de contas de água, botijões de gás, luz e por ai vai.
       Para presentear os eleitores o candidato precisa ter algum dinheiro. Já imaginou quanta dentadura o Stepan Nercessian garantiria com os R$160 mil que recebeu de “empréstimo” do bicheiro Carlinhos Cachoeira?
       E o nobilíssimo senador Demóstenes Torres? Com quantos presentes ele não alegraria centenas ou até milhares de cidadãos? Se não fosse a astúcia de gente do bem, poderíamos concluir que o tráfico de influência compensa e muito.
       Isso é só uma pequena ponta do iceberg. O que tem de podridão, meu amigo, nem te conto. Se a máxima na indústria da mídia “nada vende mais do que um bom escândalo” for verdadeira, saiba que novas fortunas se formarão muito rapidamente.
       Quem pode explicar a avidez por dinheiro do sujeito que se elege? Talvez ele, tendo melhorado o seu padrão de vida, busque suprir as carências dos parentes e amigos mais próximos.
       Nada contra essas atitudes humanitárias, desde que não sejam feitas com a grana furtada dos programas destinados a melhoria de vida da população mais carente, não é verdade?
       Até quando a riqueza, a ostentação dos senhores deputados, senadores, prefeitos e vereadores corresponderão à miséria e ao sofrimento de milhões de pessoas?
       Enquanto as punições não forem exemplares e não tiverem a propriedade de suscitar o temor, ante as oportunidades de corromper, saiba que a degeneração só tende a aumentar.
       Autoria e materialidade estão comprovadas? Apliquemos então a lei.

Mudando de assunto:
E da Rural Willys? Quem não se lembra?

segunda-feira, 19 de março de 2012

É Justo?


Ou como enriquecem os Zé Arruelas

      Quem viu a pouca vergonha, conhecida como desvio de dinheiro público, mostrada ontem pelo Fantástico da Rede Globo de Televisão?
       A maior parte da população brasileira viu. E creio que até no exterior a matéria foi degustada.
       Agora você pode começar a entender como é que um Zé Arruela, que não tinha um gato pra puxar pelo rabo, antes de se meter com a administração pública, agora tem aquele apartamento supimpa, carros importados, amantes em várias cidades, viagens internacionais e outras riquezas mil.
       O esquemão, pra quem não entendeu, é esse: por exemplo, quando uma prefeitura deseja, asfaltar algumas ruas chama a empresa CECRAT, que lhe passa os valores do serviço.
       O encarregado municipal só aceita a proposta do empreiteiro, quando a entidade concorda em apresentar os valores acrescidos de mais 10 ou 20%.
       Executado o serviço e tendo os cofres públicos pagos os valores à empresa, esta repassa então os 10 ou 20% excedentes ao funcionário ou político envolvido na trama.
       Todas as demais empresas que também teriam interesse na contratação com a administração são levadas a apresentar preços maiores do que os da primeira, perdendo assim o que seria essa “licitação pública”.
       O empreiteiro pode entregar o produto do superfaturamento aos espertinhos, às vezes, dentro de caixas de uísque, de vinho, ou usando outra forma qualquer.
       Você que gosta muito de assistir televisão, também fica imaginando de onde sairia tanto dinheiro, doado como prêmio, nesses programas populares?
       O povo, que paga esses crimes, é ainda aprendiz de malandro.   
  
       Leia também nesta edição:

Operação da Polícia Civil e MP prende prefeito de Pacajus, no Ceará

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Preço dos Cupcakes



               Como é possível para uma empreiteira vencer mais de 30 licitações, feitas pela prefeitura, se não tiver o tal jeitinho de contornar as exigências da legislação que regula a matéria?
       É mais do que sabido que as obras públicas, tais como a construção de pontes, prédio de biblioteca, escolas, viadutos e recapeamento de ruas já calçadas, são fontes de estratagemas proporcionadores de enriquecimento ilícito para muitos espertos.
       O superfaturamento, ou seja, a atribuição de preços bem maiores do que realmente custam tais obras ou serviços, serve de justificativa para o embolsamento de parte do dinheiro governamental.
       Em outras palavras: se uma empregada é incumbida de fazer cupcakes, tendo para isso que comprar os ingredientes, ela em sendo desonesta, pode alegar para a patroa, e até apresentar notas fiscais, que o trigo, o açúcar, os ovos, a manteiga e as essências custaram, digamos R$100, quando na verdade pagou só R$50.
       Tendo recebido os R$100 da empregadora e gasto somente os R$50 na compra que realizou, ela embolsa tranquilamente os outros R$50 restantes.
       Agora imagine essas importâncias multiplicadas por milhões ou bilhões de reais dos orçamentos fajutos das grandes avenidas, piscinões, viadutos e pontes.  
      É por isso que você pode notar aquele sujeito que, em não tendo onde cair morto, ou um gato pra puxar pelo rabo, depois de ter conseguido a ocupação daquele cargo público maneiro, hoje passeia de carro importado, é proprietário de centenas de imóveis e até habita mansão de bairro nobre.
       Enquanto isso você vê diariamente nos telejornais, os padecimentos dos eleitores causados pela deficiência, por falta de dinheiro, nos serviços públicos relacionados à saúde, educação e segurança.
       Pode isso Arnaldo?