Mostrando postagens com marcador sinecuras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sinecuras. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Emprego

O vereador tupinambiquense Zé Lagartto, tendo sido reeleito, achou oportuno acumular os vencimentos da câmara municipal, com os salários pagos aos que ocupavam cargos nas secretarias municipais.

Diante dessa possibilidade, bastante plausível, ele teve uma ideia, laborando em seguida um plano.

Numa tarde de sábado, quando a empregada Zoraide preparava a janta, Lagartto pegou o telefone celular e simulando uma conversa com alguém, dizia de forma bem ostensiva:

- Pois é... Comentam no gabinete que o prefeito Jarbas me nomeará secretário da administração municipal... É... Sim, eu aguardo agora um comunicado oficial. Você entende?

Enquanto Lagartto falava, Zoraide, fritando os bifes e requentando o feijão, ouvia atentamente as palavras ditas pelo edil.

À noite quando chegou em casa Zoraide conversou com o marido Mário:

- Nossa! O Zé Lagartto além de ser reeleito e ter o direito de receber mais 48 salários de vereador, foi escolhido pelo prefeito, para ocupar a secretaria da administração. Então ele vai juntar a bufunfa de dois empregos. Isso é que é rabo.

Mário ouviu com atenção a notícia, mas não acreditou. Queria confirmá-la.

Então, no domingo, já no boteco do Maçarico, Mário comunicou os fatos aos colegas que bebiam cerveja.

O diretor proprietário do Diário de Tupinambicas das Linhas, Zé Cílio Demorais, que só bebia cerveja numa caneca de alumínio, enfeitada com o distintivo do Corinthians, que levava para o boteco, ouvindo as novas contadas por Mário, ligou ao repórter que, na redação do matutino, digitava um texto.

Marcelo ouviu atentamente as instruções de Zé Cílio e ao desligar o telefone, iniciou uma pesquisa de levantamento dos dados pessoais do vereador Zé Lagartto.

Na segunda-feira pela manhã, Lagartto que ainda não fora empossado no cargo de vereador, mas que desfrutava os últimos meses da gestão antiga, recebeu uma ligação. Era o repórter Marcelo do Diário de Tupinambicas das Linhas.

Depois dos cumprimentos formais, Marcelo perguntou se era mesmo verdade que o prefeito Jarbas o nomearia secretário municipal da administração.

Na terça-feira uma nota na primeira página do vetusto jornal tupinambiquense informava não ser verdadeira a informação de que Jarbas, o caquético, nomearia Zé Lagartto como secretário municipal. Mas se o prefeito o convidasse ele aceitaria prontamente.

Ao chegar à prefeitura, na terça-feira, Jarbas foi abordado pela chefe do gabinete, dona Francisca Bonoito, que lhe mostrou a publicação.

Jarbas tinha recebido o recado. Abrindo a agenda que continha a lista das pessoas que comporiam o seu futuro secretariado, anotou nela o nome do vereador Zé Lagartto.

terça-feira, 8 de junho de 2010

As sinecuras vergonhosas

Essa história de dossiê que surgiu agora na mídia, envolvendo pessoas determinadas a espionar políticos candidatos, nós aqui em Piracicaba, já conhecemos.

Aconteceu durante uma eleição para prefeito; os ingredientes dessa receita deram muito pano pra manga, do mesmo jeito que ocorre agora.

Se não me engano, o grupo que atualmente ocupa o poder municipal e representa o coronelismo autoritário, providenciou a impressão de um jornal, com acusações sobre gente do partido dos trabalhadores e, pela imprensa fez um auê dos infernos.

A grande jogada nisso tudo é a culpa que se joga no alheio. Entende-se que seja essa confusão, formada por gente do partido, desejosa de ajudar, mas que não se dá bem, quando o objetivo da estratégia falha.

Então, para não ficar mal na fita, lançam a culpa no adversário político. Se não me engano isso deu certo aqui em Piracicaba.

Basicamente os ingredientes e a receita dessa mixórdia são simples: um documento com acusações; a descoberta desse documento; a imputação do suposto crime ao adversário político e, logo em seguida, a publicidade do “fato criminoso”.

Ou seja: os documentos são falsos e os crimes neles relatados também são falsos. Mas a tentativa de difamar é verdadeira e é atribuída, com toda a veemência, ao adverso.

A intenção é a de formar, no público, uma opinião negativa sobre o contrário. Seria o mesmo que atear fogo no Reichstag e depois botar a culpa nos comunistas. Você entende?

Isso tudo por causa das eleições. Essa bagunça faz parte do jeito que alguns políticos têm pra chegar ou se manter lá nas sinecuras vergonhosas. Enquanto isso a miséria corrói a sociedade.