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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Independência ou Morte




              Quando os caciques ou os coronéis de um determinado lugar se apoderam do poder político e econômico, travam de certa forma, a participação popular no processo, tornando-a deficiente.
             O uso dos jornais, rádios, TVs, e revistas contribuem para a formação da opinião pública que daria o respaldo à manutenção dessas oligarquias no poder por décadas e décadas a fio.
             O fascínio exercido pela conjugação das mídias é tão importante que de certa maneira, acaba fazendo com que haja algo parecido com a uniformização do pensamento.
             Então assim, aparentemente sem mais nem menos, começamos a pensar à semelhança deles, valorar as soluções deles e a minimizar os problemas da mesma forma com que eles o fazem.
             Essa dialética possibilita a exclusão de muitos, não porque queiram, mas porque são forçados a isso e desta forma marginalizados.  
             Veja que é a manifestação popular por meio dos sindicatos, partidos políticos e mídias que torna possível para um povo, traçar o seu próprio destino.
             Essa participação possibilitaria aos que estão do lado de fora, à margem do sistema, o influir no processo democrático, o libertar-se do jugo, com a apresentação de propostas diversas das dos chamados incluídos de longa data.
             O surgimento das novas tecnologias possibilitou o florescer da oportunidade para a realização das mudanças na existência nacional, que são imprescindíveis. É o momento da independência.
             A terra grita pela vida, todos nós por direitos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Os Fósseis de 64


                          A revolução de 1964, completa hoje, 31 de março, 47 anos.

                    Justamente neste dia, há mais de quatro décadas, iniciava-se um tempo de terror, perseguições, mortes, torturas, internações psiquiátricas e muita perversidade cometida pelos militares.

                    É bom lembrar que o exército não estava sozinho. Havia um segmento da Igreja que também apoiava, bem como grande parte das mídias.

                    Industriais, comerciantes, jornalistas, e todos os envolvidos, com a forma de produção capitalista, concorreram para a implantação do golpe.

                    O que o Hugo Chaves faz hoje na Venezuela, o que o Kadaffi fazia até há pouco tempo na Líbia, os militares fizeram no Brasil. Prenderam e arrebentaram muita gente.

                    Os fósseis e a mentalidade opressora, daquela gente que participou ativamente das perseguições, torturas e mortes, ainda podem ser vistos, ouvidos e tocados, nas assembleias legislativas, prefeituras, governos estaduais e câmaras de vereadores de todo o Brasil.

                    A revolução de 64 veio para sufocar, oprimir e destruir todos os que demonstravam simpatia pela forma de produção que não fosse a capitalista.

                    Intelectuais, artistas, escritores e poetas tentaram implantar, pela força, o regime então vigente em Cuba e na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

                    Mas não deu certo. A guerrilha foi esmagada, a oposição humilhada e a barbárie mantida por mais de 20 anos.

                    Passado o tempo da purgação, paulatinamente voltou o país para a democracia. Uma prova incontestável disso é a eleição da atual presidenta do Brasil, Dilma Rousseff que sofreu na carne, os horrores da crueldade.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O ARMÁRIO PRATA

Pitirim Zorror acordou, naquela manhã de segunda-feira, com uma dor de cabeça horrível. Seu companheiro de quarto, ali no famoso Spa Naka, roncara a noite inteira. Apesar do adiantado da hora, aquele gogó ainda estrondeava.

Ambos internaram-se na clínica objetivando perder peso e livrar-se dos incômodos da intoxicação causada pelo uso diário do álcool. Pitirim arrancou o travesseiro debaixo da cabeça pesada e lançou-o contra a fonte insuportável de ruídos.

Ernesto Mail assustou-se com o impacto. Atordoado, ele pode ouvir o trinado dos pássaros, àquela hora da manhã. Nervoso ele exclamou:

- Que saco! Não se pode mais, nem ao menos, dormir direito nesse lugar.

Um odor de café coado naquele momento evolava no ambiente, aguçando a fome nos demais residentes.

Pitirim percebeu suas mãos trêmulas. Ele sabia que só as teria firmes, depois duma talagada generosa. E. Mail começou a falar:

- Eu notava que os vizinhos da minha casa conversavam, sobre mim, com os vizinhos daquele boteco, lá no centro. Eu tenho certeza que eles todos comentavam sobre minha... minha... nobre... pessoa, com os vizinhos da construtora onde eu aparecia todas as manhãs, para trabalhar.

Pitirim levantou-se e foi dizendo:

- Já está delirando a essa hora! Você não é oceano, mas tá cheio de ondas hein, ô da psicose! Vai se levantando rápido. Aquele enfermeiro maluco vem chegando aí. Você sabe que ele não vai com a tua cara.

Pitirim sentiu que fora um tanto quanto seco e rude com o parceiro. No fundo sabia que Ernesto Mail tinha razão e estava certo com as suas percepções. O pessoal da seita maligna do pavão-louco não era flor que se cheirasse. Aquela gente era de morte.

E. Mail, tossindo, botou os pés no chão. Seus cabelos estavam desgrenhados; o rosto mal barbeado e vermelho. Em tom de cochicho ele perguntou:

- E a mais lindinha? Acabou?

Pitirim, percebendo que aquela concorrência, poria em perigo o prazer da embriaguez do dia, asseverou:

- Acho melhor você se cuidar. Aquela turma do pavão-louco está todinha atrás de você. Eles estão com ódio e desejam ver-te mais seco do que roçado nordestino.

Ambos se preparavam para descer e tomar o café matinal. Vestiam-se vagarosamente. De repente, as palmas estaladas à porta, assustaram os internos. A enfermeira Lucila Mao Mé, magra à semelhança dum frango morto, depenado e dependurado, mostrando muita irritação, esbravejava:

- Vamos logo, se não vocês perderão a hora do desjejum. Parece que não sei... Parece que bebem...

E. Mail sussurrou:

- Ih rapaz! É aquela louca que confunde colega com Corega. Tamos ferrados!

Pitirim emendou:

- Essa capivara não tem carrapato com maculosa, mas pode te esquentar a cabeça. Vamos logo, ô praga de usineiro, sai da frente!

No refeitório, sentados um defronte ao outro, eles conversavam, entre goles compassados de café com leite. Ernesto Mail disse:

- Piti hoje tenho consulta com o endocrinologista. Ele pediu que eu escrevesse alguma coisa relacionada com o meu peso. Bolei essa cartinha. O que você acha?

Pitirim pegou o papel e mordendo um pedaço de torrada, passou a ler. O texto dizia assim:

"Quando era criança e já bastante gordinho, a molecada do bairro zoava-me muito durante as corridas pelo quarteirão. Eu sempre chegava por último. A gozação era geral: todos subiam na jabuticabeira e eu não podia nem ao menos passar pela segunda forquilha. Confesso a você que até mesmo as escadas conseguia descer. Eu próprio sentia compaixão por minha pessoa. Vá vendo... Mas do rio não é bom falar. Todos chegavam correndo às margens e, aos saltos, entravam n´ água. Saíam nadando, enquanto eu afundava igual a martelo."

"Diante desses fatos fui ficando assim meio caseiro, inferiorizado. Aquele senso de dessemelhança que se apossa do fofinho que vive num grupo de magros, obrigou-me a desenvolver a inteligência agressiva e a astúcia exuberante. Eles não contariam com a minha astúcia."

"Passei a escrever poesia quando estava supergamado e não tinha coragem para declarar meu amor."

"Os dias sucederam-se e eu ficava cada vez mais velho. Comecei a fumar. Pensei que fosse emagrecer com o tal hábito. Mas que nada. A adiposidade em meu corpo aumentou de tal forma que eu já não conseguia mais ver o biribiguá. Mas também pelo tamanho com que ele se apresentava, seria melhor que eu não me lembrasse da sua existência. Era humilhante."

"Reuni minhas poesias em alguns livrinhos xerocopiados e passei a oferecer às pessoas. Houve certa aceitação. Pelo menos em tais contatos sociais não haveria tantos rebaixamentos. Eles (os contatos sociais) se davam sob assuntos intelectuais e não por desempenhos físicos. Até aí tudo bem. Não encontrei nenhum concorrente que me pudesse fazer sombra."

"Reinei só durante alguns anos em nossa comunidade, sendo conhecido como Ernesto Mail Catão, o poeta pimpão."

"Mas você sabe como é: precisamos fazer algo de útil e remunerado durante essa nossa passagem pela terra. Se não, como sobreviveremos, não é verdade?"

"Ingressei então, pelo poder e graça dos grandes padrinhos, e por que não dizer, por minha capacidade intrínseca também, no serviço público municipal."

"Meu salário era ruim. Era tão minguado que me impedia de ver, e não via mesmo, outra alternativa para reforçar o orçamento, do que a da aceitação de bolas."

"A corrupção a que me submetia, quero deixar bem claro, não era prejudicial ao empregador a ponto de o fazer instalar uma CPI e me defenestrar do cargo. Tudo era muito leve e sutil. Espirituosamente sutil."

"Os anos passaram e agora, curto o diabetes, responsável pela minha disfunção erétil."

"Estou careca, gordo e com o bimbo mole. Mas escrevo minhas poesias. Gosto ainda de contar mentiras e, às ocultas, assoprar os defeitos alheios. Apesar dos laranjas e larápios viverem a dizer que não enxergo a trave no olho próprio."

"Nada mal para quem era um gordinho com nádegas flácidas e sem futuro. Não é verdade?"

Pitirim Zorror terminou a leitura e tossindo levemente disse:

- É bastante significativo. Tem conteúdo. O doutor vai entender que você era inferior e que por isso, para compensar, fazia essa poetagem toda. Seu caso assemelha-se aos demais integrantes dessas seitas malignas. Para ser aceito nelas é preciso estar separado do cônjuge, ser tabagista, obeso, alcoólatra, analfabeto, adolescente ou idiota. As maldades que praticam são compensações pela inferioridade material. Ajudam manter a autoestima.

Enquanto falava Pitirim não percebeu a aproximação de um novo interno. Era um sujeito alto, pelancudo, usava bigodes brancos e sujos; seus óculos estavam embaçados. Ele caminhava arrastando a perna direita. Calçava pantufas verdes e sua blusa era azul. O adoentado batia palmas e cantarolava: "É na palma da bota/ É na sola da mão..."

Ernesto e Pitirim se entreolharam e sem dizer palavra, saíram correndo a caminho do quarto. Lá no canto, no fundo do armário prata, estavam escondidas as garrafas de filha-de-senhor-de-engenho, néctares muletas que os fariam aguentar as chatices daquilo tudo.

Texto publicado originalmente em 14/10/2005 no site usinadeletras.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Quem pode crer nesses caras?

No Brasil Hillary Clinton é PSDB roxa. E pode ser até por esse motivo que ela tenha liderado parte das nações a condenarem o acordo promovido pelo governo brasileiro, turco e o do Irã, sobre a questão de armamentos nucleares.

O neoliberalismo econômico é teoria mundial. Está presente no programa de centenas de partidos de todo o mundo.

Da mesma forma que Lula, Evo Morales, Hugo Chaves, Raul Castro e a economia da China inteira pretendem estender seu modo de vida ao restante do planeta, o neoliberalismo quer predominar.

É a continuação da velha discussão sobre a melhor forma de produção: se capitalista ou comunista. No passado ambos os blocos não mediram esforços para dominar. Valia prender, torturar, dar sumiço e matar.

É claro que sobrou também pra muita gente que não tinha nada a ver, ou não queria nem saber, dessa briga de vira-latas grandes.

De ambos os lados quanta gente não foi parar nos manicômios, nas prisões, foi aleijada, e perdeu tudo o que tinha por pensar diferente da maioria?

Em Piracicaba havia naquele tempo chamado “anos de chumbo” um hospital psiquiátrico, fundado por industriais, destinado não só aos bêbados e viciados em drogas.

Qualquer suspeita sobre atividade anti-social promovida por pessoas carecedoras de confiança fazia cogitar na possibilidade de uma temporada na tal clínica de repouso.

Depois de lá, meu amigo, você estava, do mesmo jeito que os prisioneiros dos campos de concentração nazistas, marcado para o resto da vida.

Se fosse aprovado em concurso público não tomaria posse. Se frequentasse clubes sociais ficaria sozinho, isolado. Se participasse de atividades voluntárias não seria ouvido e combatido até a exaustão e se tivesse direito à herança, não a receberia.

Se viesse a residir num bairro da periferia, seria apequenado e humilhado diuturnamente durante décadas. E se os seus filhos frequentassem escola pública seriam induzidos ao abandono de forma muito sutil, bem suave.

E depois de tudo isso, quando você se visse envelhecido, os tais homens do poder, precisando da unanimidade pra ficarem agarrados às tetas públicas, que lhes garante a saúde, o bem estar e a posse dos bens necessários à sobrevivência, proporiam-lhe concursos insólitos, e muitos sonhos loucos.

Depois de suportar tanta sacanagem quem ainda pode crer nesses caras?





Dizem que Hilary Clinton ama esse vídeo. Será que é verdade?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O Retardado Mental que Cuida das Crianças

Veja a que ponto pode chegar o indivíduo que busca o poder e deseja, por meio das crendices das pessoas, a obtenção do respeito dos que estão ao lado.

O sujeito é daqueles que tenta controlar o ambiente usando o medo. Ele oprime os que ainda não conseguem entender muita coisa da vida. Funciona mais ou menos assim: um retardado mental, desocupado, geralmente incumbido de cuidar das crianças da casa, para manter todo mundo quieto, diz: “a polícia pode chegar e fazer muito mal a elas”.

O mecanismo é o mesmo mas tem variações como por exemplo: “Olha, fica quieto, me obedeçam, se não aquale vizinho louco vai acabar com nós”.

Esse tipo de discurso é usado nas “igrejas” de garagem das cidades interioranas e os elementos componentes das falas opressivas são bastante variáveis. São usadas figuras bíblicas também.

Quando você testemunha a permanência de gente analfabeta, ocupando cargos eletivos importantes, durante uma vintena de anos, pode ter a certeza, de que é obra desse tipo de atitude.

Como é que pode um sujeito, que mal sabe assinar o próprio nome, produzir leis que conduzirão os destinos de uma cidade inteira, de milhares de pessoas?

Enquanto isso o “otário” que pagou a faculdade por quatro ou cinco anos para aprender mal e porcamente as noções básicas das estruturas formadoras dessas coisas todas, não consegue ser nomeado para o cargo público, depois de ter sido aprovado nos concursos.

Esse tipo de injustiça condena os detentores do poder. Mostra a insensibilidade, e a insensatez que podem enlouquecer uma cidade inteira.



O retardado mental tenta controlar as crianças falando sobre espíritos, polícia e vizinho contador bêbado que lhes pode jogar tijolos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Deixe que digam, que pensem e que falem

A minha casa é minha casa, agora, minha vida pode muito bem ser vivida em outro lugar. A existência não dependerá somente do ter uma casa. Quanta gente não perdeu o que tinha e mesmo assim continuou vivendo?


Seria mesmo a manifestação da falta de bom senso dizer que estaria a vida acabada só pelo fato de ter a casa ruída, ou tomada pela lama. Pra tudo se dá um jeito nessa vida. E olha: considero muito crítico esperar tudo do governo federal.

Tudo bem que o Brasil tenha uma história peculiar, diversa da maioria dos seus vizinhos, mas aguardar do “paizão” a casa, a bolsa disso, a bolsa daquilo é mesmo passar um recibo de incompetência homérica.

Imagine você uma família com numerosos filhos, todos reclamando por causa da escassez. O pai muito bravo resolve proíbir as reclamações. Ele então “baixa” uma ordem impedindo os queixumes.

É claro, meu amigo, minha amiga e senhoras donas de casa, que o silêncio daquele povo todo, não modificará a situação lamentável. A diferença é que as demais pessoas da vizinhança não terão tanta certeza do que realmente se passa naquele lar tão oprimido.

O homem poderá desfilar então pela vizinhança, assim como Fidel Castro desfilava na União Soviética, passando aquela impressão de que estava tudo muito bom, tudo muito bem. Ora, veja.

O autoritarismo resiste até onde chega o seu líder totalitário. Acabou-se a União das Repúblicas Socialistas Sovièticas e logo em seguida Cuba deixou de ter o seu parceiro comercial.

Agora, na Venezuela surge Hugo Chaves, o homem que deseja acabar com a inflação usando o poderio militar. Será que Fernando Collor de Mello, não conseguiu tal façanha, com semelhante estratégia, por ter somente “uma bala na agulha”?

Lula segue os caminhos do Chaves, que por sua vez anda por onde andou Fidel. Não será surpresa nenhuma, se daqui uns 50 anos, as gerações futuras vejam o pais do Chaves vivendo situaçôes semelhantes as de Cuba do Castro.

É preciso diálogo. Saber ouvir também faz parte da interação. O ditar lá de cima, durante horas, sem ouvir depois as impressões dos ouvintes, pode mais complicar do que ajudar na manutenção do todo.

O mal do ditador é que ele não suporta opiniões contrárias às suas. Isso seria um desrespeito tamanho que implicaria até em perda de prestígio. Imagine o Lula querendo fazer a transposição do rio São Francisco, e a sociedade toda, por meio dos seus veículos de comunicação social, dizendo que não concorda por não ser certo.

Então o ditador fechando rádios, televisões, jornais, revistas e blogs, poderia fazer o que quisesse sem ter que ouvir os queixumes impertinentes. Saddam Hussein era assim. Hitler também foi.

O calar a boca de alguém não compete às pessoas civilizadas.

Fernando Zocca.  







quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Fazendo maldade

Imagine o meu amigo leitor a cena em que o comerciante de máquinas de escrever ao vender o seu produto e não recebendo o seu crédito, intenta a cobrança de outra pessoa que não tem nada a ver com o assunto.

No mesmo sentido, pode o meu nobre amigo considerar justa a punição feita pelo Estado a um sujeito que não cometeu qualquer delito?

Tanto o comerciante quanto o Estado, nas hipóteses acima, ao agirem cobrando e punindo o sujeito alheio às questões, estarão cometendo injustiças gravíssimas, que por sua vez originarão outras, e mais outras, até o final dos tempos.

É princípio básico do Direito Penal a individualização da pena. Dessa forma não pode o pai pagar por um crime cometido pelo filho e muito menos o filho ser condenado por um crime cometido pelo pai dele.

Como posso exigir o pagamento de uma conta a alguém que não a fez se não estiver imbuído de muita má-fé e ódio?

Ocorre que em determinados momentos da nossa vida podemos escolher entre o bem e o mal. E se a prática do mal a um ingênuo, nos trouxer as vantagens que necessitamos, por que então não fazê-lo?

Quando se abraça a causa de alguém, deve-se ter em mente os princípios da justiça sob pena de, agindo equivocadamente, aumentarmos a proporção do problema. Então como podemos pagar por algo que não fizemos, sem sentir uma forte indignação, batalhando para desmontar os esquemas injustos?

A justiça é coisa séria. É muito mais do que pode imaginar a nossa filosofia frívola. A prática da injustiça causa um sentido de revolta tão intenso, fervilha tanto que induz aos desejos cegos de violência, podendo porém, produzir o contrário: a chamada depressão reativa.

As vítimas das maldades agindo sob o descontrole são um prato cheio para os vingadores, os cruéis.

O comerciante de máquinas de escrever, ao se apropriar de parte do pagamento de um dos seus vendedores, como forma de fustigação, agiria de má-fé se tivesse a consciência de que possivelmente aquela sua vítima não merecesse o castigo.

Mas agiria tomado por muita ignorância se considerasse que o ódio brotado da frustração, fosse descontado em qualquer um, no primeiro que aparecesse, independente de mérito ou culpa.

Do rol de maldades que se faz contra alguém está o bullying nas escolas. Imagine o estrago que uma professora poderia fazer num aluno, se o pai ou a mãe da criança lhe devesse alguma coisa ou lhe tivesse causado algum prejuízo.

Imagine a crueldade do patrão contra um empregado se o pai daquele trabalhador pudesse ter originado algum dano a qualquer parente, mesmo que distante, do tal proprietário comerciante.

Essas fustigações, antes das denúncias feitas pela imprensa, batizadas de Assédio Moral, eram praticadas há muito tempo, levando suas vítimas ao crime, às doenças psicossomáticas e à morte.

Os procedimentos condenáveis desonram não só a quem os pratica como também a empresa onde o desmerecedor trabalha.

Ainda que tenhamos o cocoruto fervente com tanta maldade recebida, não percamos a paciência, façamos o bem.

Fernando Zocca.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O agressor de criança



Quanta maldade!
Quando eu era criança ouvi muito que deveria respeitar os mais velhos. E de fato, nunca hostilizei os que tinham mais idade do que eu. Nós sabemos que uma das características dos jovens é o de contrariar, contraditar e rebelar-se contra tudo que está estabelecido, consolidado.
E não deixa mesmo de ser uma tremenda falta de educação ofender outras pessoas, que por méritos próprios, muita dedicação e empenho chegaram a conquistar tudo aquilo que provoca a tal inveja, naqueles que não tiveram tanta sorte.
Mas o que devemos fazer diante dos jovens rebeldes, às vezes acometidos por doenças, fixações e que sitiam a outrem?
Existem diversas correntes que cuidam do assunto, sugerindo soluções. Na Bíblia, por exemplo, podemos observar que a crueldade só pode ser amenizada pela consciência e aceitação do amor de Jesus Cristo.
Para psicólogos o sujeito adoecido pela pertinácia pode ser aconselhado e, se tiver substrato favorável, poderá recuperar-se. Para a psiquiatria o paciente dotado de personalidade querelante, reinvidicativa e que vive em permanente estado de beligerância sitiante, poderá adaptar-se depois que tiver efetivadas algumas mudanças na sua bioquímica cerebral.
O objetivo dos procedimentos médicos psiquiátricos seria o de proporcionar o conforto ao padecente insurreto.
Havia os que criam estar a solução, para os tais problemas, numa boa sova contundente e inesquecível. Mas isso não é recomendável por ninguém que conhece o assunto. A violência redundaria em mais violência até os limites indesejáveis.
No presente momento, aqui no Brasil, observa-se a escalada do crime e se a sociedade, por meio das suas instituições próprias, não reagir, o perigo de desagregação tornar-se-á mais acentuado.
À semelhança dos corpos estranhos num organismo vivo que o infeccionam, os maus caracteres tendem a gangrenar o enteado, a família, a vizinhança, o bairro, a cidade e até o país. E tanto num exemplo quanto noutro, se não houver a profilaxia, com certeza, instalam-se os valores dissociativos.
Tanto a prostituição, como os crimes contra a vida, os assaltos e a agressão verbal contra crianças sinalizam um estágio enfermiço da família. Observa-se que os praticantes da tirania, às vezes recebem o respaldo dos pais e demais parentes, numa demonstração de valores inadequados para a convivência pacifica e produtiva.
A violência verbal contra idosos ou crianças é sempre condenável. E o adulto que tem a incumbência de cuidar das pessoas de pouca idade, ao agir de forma opressiva demonstraria inadequação estando sujeito às sanções da comunidade.
O menino agredido verbalmente hoje, será o adulto agressor de crianças do amanhã. Acredita-se que para quebrar essa corrente nefasta só mesmo a educação poderia.
Fernando Zocca.